Cidades inteligentes apostam cada vez mais na bicicleta

2018
12-09-2018

Andar de bicicleta e a pé é uma marca das cidades com melhor mobilidade. Mas a chave de sucesso está nos sistemas integrados de transporte

O incentivo ao uso de transportes sem motor de combustão, sejam veículos elétricos ou bicicletas, é o cartão de visita das melhores cidades do mundo em termos de mobilidade. Outro traço marcante é a integração dos sistemas entre vários modos de transporte, fazendo com que o trânsito seja mais fluido. Em Amsterdão, por exemplo, a grande maioria das pessoas movimenta-se de bicicleta e os autocarros param para dar passagem aos ciclistas. Já na Dinamarca são muitos os membros do parlamento que vão todos os dias trabalhar de bicicleta, dando um exemplo de como se podem atingir as metas do Acordo de Paris. Na capital dinamarquesa, Copenhaga, a mobilidade urbana é garantida pela fácil deslocação dos moradores pelas vias de acesso ao centro da cidade. Estima-se que pelo menos metade dos habitantes se desloque diariamente de bicicleta para ir trabalhar ou estudar. Além da aposta na bicicleta, a cidade tem um sistema de sinais de trânsito inteligentes que consegue identificar a aproximação de veículos (bicicletas, carros ou autocarros). O sinal deteta a aproximação de ciclistas, por exemplo. Se o grupo é grande, o sinal permanece aberto por mais tempo para que todos consigam passar. Em Berlim, na Alemanha, um dos pontos determinantes na política de transportes tem sido o cuidadoso planeamento das vias para bicicleta e pedestres. Os moradores andam ou pedalam e, sempre que podem, dão prioridade a estas formas de deslocação. A diversidade de meios de transporte e a facilidade de acesso são as principais características da mobilidade urbana em Berlim. Aqui, o peso do tráfego dos pedestres chega mesmo a ser semelhante ao do tráfego de automóveis. O uso da bicicleta e a preferência pelo transporte público tem vindo a aumentar. Outra importante iniciativa da capital alemã é a mobilidade elétrica, área em que o município tem vindo a investir de forma crescente. Esta aposta abrange tanto os veículos como os postos de carregamento elétrico espalhados pela cidade. No Reino Unido, o condado de Cambridge, situado a cerca de 80 quilómetros de Londres, tornou-se um modelo de mobilidade urbana com a criação, em 2011, do sistema de transporte coletivo BHLS (Bus with High Level of Service). São veículos diferentes dos autocarros que conhecemos por serem mais rápidos e seguros. Construído no percurso de uma antiga ferrovia desativada, o modelo usa o sistema "guided bushway". O sistema de Hong Kong Além disso, foi construído de modo a que os ciclistas pudessem utilizar as ciclovias laterais. Nas principais estações há locais para guardar a bicicleta e também estacionamento para quem quiser deixar o carro e seguir com o BHLS. Numa geografia mais distante, também Hong Kong, principal centro de negócios e turismo da Ásia, conta com um dos sistemas de mobilidade urbana mais bem organizado e eficiente do continente. O que faz os deslocamentos serem eficientes é o sistema MTR (Mass Transit Railway), reconhecido como um dos mais eficazes do mundo. Uma espécie de linha de comboio super rápida, serve as áreas urbanizadas de Hong Kong e localidades próximas, sendo o meio de transporte mais popular da região. Um bilhete para tudo O sistema de bilhética eletrónica em Zurique, na Suiça, é semelhante ao Oyster Card de Londres. Nas duas cidades é possível adquirir um bilhete para usar em várias zonas, em vários modos de transporte e durante todo o dia. Em Londres trata-se de um cartão que o utilizador creditado com dinheiro e que, à medida que é usado, contabiliza automaticamente o preço das viagens. O crédito pode ser recuperado a qualquer momento numa das máquinas do metro ou num posto de apoio ao turista. O Oyster, um cartão de plástico eletrónico, é uma inovação da Transport for London, a autoridade de transporte integrada do município de Londres. Este sistema pressupõe que a maneira mais fácil de viajar é poder pagar à medida que se vai precisando ("pay as you go"). Decidir alterar o percurso ou o destino da viagem fica mais fácil e o pagamento também: pode pagar à medida que vai usando os vários modos de transporte: metro (London Underground), autocarro (London Buses), Docklands Light Railway (DLR), London Overground, TfL Rail, elétricos (London Trams), Emirates Air Line, River Bus e a maioria dos serviços ferroviários nacionais em Londres. Como usar? Basta tocar com o cartão Oyster no leitor de cartões para iniciar uma viagem e no final tocar com o mesmo cartão novamente no leitor de cartões à saída. Desta forma será cobrado o valor correto, pois o sistema contabiliza o preço da viagem desde a origem ao destino. Como receber turistas O turismo é outra das preocupações das cidades inteligentes. Querem saber o perfil do turista que chega. A nacionalidade, origem, o que faz na cidade, quanto gasta. As câmaras municipais querem estar preparadas para adaptar a oferta turística e captar o turismo que mais lhes interessa. Em Barcelona e Málaga, quando as autarquias sabem que vão chegar mais turistas, alocam mais pessoas em certas zonas e a determinadas horas, gerindo de outra forma as rondas do lixo, por exemplo. Com sistemas de informação e analise de dados que permitem saber o numero de pessoas idosas num determinado bairro, podem , por exemplo, colocar mais caixotes do lixo para que não tenham de ser percorridos longos percursos.

Maria João Alexandre

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