
EDP investe em nova rede para carregamento elétrico de frotas

Estratégia imediata da EDP para incentivar a mobilidade elétrica passa por postos só para frotas, sistemas para carregamento doméstico e uma app que simula experiência de mobilidade elétrica.
EDP vai investir numa nova rede de postos de carregamento elétrico rápidos, destinados especificamente às frotas das empresas, disse ao JN fonte oficial da empresa. O projeto piloto arrancou agora com a instalação de dois novos carregadores rápidos, em Belém, junto ao Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT). Mas a nova rede de e-hubs será alargada a mais localizações, estando já a EDP em conversações com potenciais utilizadores e municípios. A ideia é ser complementar à infraestrutura pública de carregadores. Este projeto, que conta com tecnologia desenvolvida pela Efacec, visa tratar de modo diferente o que é diferente, porque "as frotas têm um comportamento de circulação e carregamento atípico, que acaba por perturbar e criar uma alguma entropia numa rede de consumidor final que tem outro tipo de necessidades", lembrou esta semana a administradora da EDP, Vera Pinto Pereira, em entrevista ao JN. A aposta no potencial de eletrificação das frotas está assim alinhada com as ambições do grupo, que deseja ter um papel central na mobilidade elétrica.Pela parte que lhe toca, a EDP já assumiu o compromisso de eletrificar toda a sua frota até 2030. Focada no segmento residencial, a empresa prepara-se também para lançar, já em outubro, uma nova solução para as estações de carregamento em casa dos clientes, em parceria com a Efacec, adiantou a mesma fonte. "A EDP Wallbox, que permite carregar o veículo elétrico em casa, está agora também disponível em modelo de subscrição e vai incorporar o sistema edp re:dy, uma app que permite aos clientes monitorizar e gerir os seus consumos de eletricidade". Na prática, além de competitiva, esta solução quer proporcionar uma gestão mais eficiente das cargas, garantindo um equilíbrio entre os fluxos habituais de consumo na habitação e os carregamentos dos veículos elétricos. Atenção aos condomínios Também em parceria com a Efacec, a elétrica está a desenvolver uma solução para condomínios e parques de estacionamento partilhados, que estará disponível a partir do primeiro trimestre do próximo ano. "Esta solução vai permitir diferenciar os consumos relativos aos carregamentos elétricos dos restantes, facilitando o pagamento por parte de cada utilizador". A aposta do grupo passa igualmente pela sensibilização pública. Um objetivo que se vai materializar agora com o lançamento de uma app de aconselhamento que apoia futuros utilizadores na adoção de veículos elétricos. A EV.X - assim se chama a aplicação desenvolvida dentro da EDP - "simula uma verdadeira experiência elétrica adaptada ao dia-a-dia de cada utilizador", com informação real sobre necessidades de carregamento, postos disponíveis, autonomia, bem como os benefícios económicos e ambientais. "A descarbonização é um dos maiores desafios que o mundo enfrenta e só um esforço coletivo tornará esse objetivo possível. A EDP tem estado empenhada em dar o seu contributo, através da forte aposta em renováveis e na eletrificação do consumo", afirma Vera Pinto Pereira, administradora da EDP, para concluir que "o futuro da mobilidade será elétrico, autónomo e partilhado e o grupo quer estar no centro desta revolução com soluções que respondam a necessidades concretas". Energias renováveis Algumas soluções passam por parcerias, como as que já foram estabelecidas com 13 produtores de veículos elétricos, com a Repsol para a instalação de carregadores rápidos nas suas estações de combustível ou com a BMW Brasil para criar um corredor de postos de carregamento entre o Rio de Janeiro e São Paulo, com 430 Km. Outra frente central para a descarbonização da economia é a aposta nas energias renováveis da empresa que é a quarta maior produtora mundial de energia eólica, com 74% da capacidade instalada oriunda de energias limpas. A EDP opera em 13 mercados (Bélgica, Brasil, Canadá, França, Grécia, Itália, México, Polónia, Portugal, Roménia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos) e acaba de ganhar dois leilões no Brasil - que vai mais do que duplicar a capacidade instalada. Também nos Estados Unidos, através da filial EDP Renewables North America, assinou um contrato de 139 MW a 15 anos com o Facebook para vender a energia produzida no Parque Eólico Headwaters II, no Indiana, que vai produzir energia limpa suficiente para alimentar o equivalente a mais de 52.000 casas por ano.Carla Aguiar