Lisboa testa ideias de mobilidade em programa inédito de inovação

2018
03-09-2018

O Smart Open Lisboa – Mobility escolheu 14 equipas que estão a implementar provas de conceito para melhorar a mobilidade na capital.

Nunca se tinha feito um programa desta natureza em Lisboa, reunindo na mesma plataforma todas as entidades centrais de mobilidade da capital portuguesa. Depois de um período de candidaturas, bootcamp e seleção de 14 startups, o Smart Open Lisboa Mobility está neste momento em fase de testes e provas de conceito de ideias, que estão a ser desenhadas para melhorarem a mobilidade dos habitantes na cidade. O programa é liderado pela Câmara Municipal de Lisboa e está a ser gerido com o apoio da Beta-i. Os principais parceiros são o Turismo de Portugal, Cisco, NOS, Axians, Santa Casa da Misericórdia, TOMI, Carris, Metropolitano de Lisboa, EMEL, Brisa, Daimler e Ferrovial. "Até setembro, os parceiros e as startups estão a alinhar os últimos detalhes sobre cada piloto que vai ser desenvolvido", explicou ao DN o diretor do Programa SOL, Gonçalo Faria. A fase de experimentação e pilotos está marcada para 16 de setembro e irá durar até 15 de novembro, culminando num demo day em que serão apresentados os resultados finais dos projetos. A seleção das ideias foi feita entre 130 startups nacionais e internacionais (num total de 38 países) que se candidataram à iniciativa, e de onde saíram, primeiro, 24 para estarem num bootcamp em Lisboa e 14 para avançarem até ao final. "O grande objetivo é que todos os pilotos que vão ser desenvolvidos se traduzam na criação de parcerias entre as startups e as entidades envolvidas no programa, a anunciar no demo day, adianta Gonçalo Faria, o que significa que "todas as startups" poderão sair do programa com algum tipo de parceria. João Faria, gestor de projeto da Axians, acrescenta que a intenção é que daqui "surjam soluções de mobilidade para serem implementadas o mais rapidamente possível na cidade de Lisboa", sendo o ideal "já em 2019", a seguir à fase de testes. A Axians, tal como os outros parceiros, está a ajudar as equipas a construir o modelo de negócio e a oferecer mentores e soluções tecnológicas. Quanto ao investimento, a contribuição será validada "em conjunto com os parceiros", não estando definido um orçamento para o projeto. A empresa está a "disponibilizar tecnologia e recursos humanos" no desenvolvimento das startups e vai considerar um outro tipo de investimento "se surgir uma boa oportunidade no futuro", reforça João Faria. A Beta-i, que faz a gestão operacional do programa, também refere que não é possível apontar um valor global de investimento, "porque quer os pilotos que vão ser desenvolvidos quer as futuras parcerias a ser anunciadas no final do programa têm impacto no valor global", diz o diretor, Gonçalo Faria. "O investimento é feito por todo o conjunto dos parceiros envolvidos", adianta. Melhorar a mobilidade As startups selecionadas vão testar soluções de estacionamento e condução, de partilha de veículos e outros aspetos que condicionam a vida diária dos lisboetas. As equipas portuguesas são a Cardio ID, a Parkio e a Wall-i. Da vizinha Espanha vêm a Eccocar, a Xesol Innovation, a Shotl e a Meep App. Há ainda a AppyParking e a Third Space Auto, do Reino Unido, a e-floater, a Idatase, e Airpark e a MotionTag, da Alemanha, e a LifePoints, do Canadá. Em termos de empresas portuguesas, as soluções são dirigidas a áreas diferentes. A CardioID, com sede na Maia, desenvolveu um sistema que identifica os condutores através do eletrocardiograma e pode ser embebido em vários produtos. Um deles é o CardioWheel, uma capa de volante integrada com produtos anticolisão como o da Mobileye, geolocalização e telemática. A startup liderada por André Lourenço tem como foco a redução dos acidentes rodoviários e melhorias operacionais, focando-se neste contexto em frotas de autocarros e camiões. Já a Parkio desenvolveu um sistema que liga os condutores aos lugares de estacionamento disponíveis, facilitando o pagamento e aumentando a taxa de ocupação dos parques. Quanto à Wall-i, o conceito é abrangente: a empresa criou uma rede de meios de difusão de mensagens usando visão por computador, através de um aparelho de Internet das Coisas que se liga a qualquer ecrã, autocarro, metro, estação de combustível ou outro espaço. A ideia é que as empresas de mobilidade usem o sistema para mostrar informação relevante aos cidadãos e viajantes, além de que a tecnologia vai também ajudá-los a compreender os hábitos de deslocação. O resultado deverá ser a melhoria da qualidade de serviço dos transportes e da satisfação dos utilizadores. Há ainda outros conceitos interessantes em prova. Por exemplo, os espanhóis da Eccocar desenvolveram uma solução de partilha de carros e carrinhas para empresas, rent-a-cars e concessionários. O problema que a startup quer resolver é o do desperdício, em que muitos veículos estão estacionados por longos períodos de tempo em frotas possivelmente sobredimensionadas. A solução permite reservar e abrir um veículo sem necessidade de chaves. No contexto do SOL Mobility, a empresa vai converter carros de alguns dos parceiros em veículos partilhados, propondo-se reduzir as suas frotas em 30% e poupando em custos de combustível e despesas de táxis. Os alemães da MotionTag, que criam serviços a partir dos sensores dos smartphones, vão lançar a aplicação Smart Lisboa. O intuito é ajudar os utilizadores a entenderem o impacto das suas deslocações no ambiente e a perceberem, por exemplo, quanto tempo passam em transportes. A empresa quer "recolher informação valiosa sobre os padrões de mobilidade" dos lisboetas e turistas, que os parceiros poderão depois usar para criarem melhores ofertas e experiências. A Carris é um desses parceiros e o CEO Tiago Farias já declarou o seu entusiasmo com os resultados do programa até agora, "especialmente pela qualidade das startups" e por ser uma iniciativa muito específica. "Esta proximidade com empresas que estão focadas no que é novo no campo da mobilidade, e que trabalham diariamente na evolução de novos conceitos, está completamente alinhado com a nossa estratégia."

Ana Rita Guerra

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