
Portugal participa na revolução dos transportes

Portugal quer ter uma palavra a dizer na revolução dos transportes. Estão a ser desenvolvidas várias soluções para esta área, sobretudo nos veículos e nas infraestruturas de carregamento, conforme ficou patente durante o debate "Os desafios e uma nova ambição para a mobilidade", que decorreu na parte da manhã do warm up da Mobi Summit.
O CEiiA – Centro para a Excelência e Inovação da Indústria Automóvel falou sobre o Flow.Me, protótipo de veículo-drone elétrico e autónomo que poderá ser partilhado, segundo José Rui Felizardo. O líder deste centro, localizado em Matosinhos, propôs também pagamento de serviços com "unidades de crédito de energia para redução de emissões".
A Efacec está a produzir supercarregadores para a Europa e os Estados Unidos e assume que quer ser líder neste mercado, ambiciona Duarte Ferreira, diretor de desenvolvimento de negócio global. A empresa está também a concluir um investimento de 3,5 milhões de euros na fábrica, na Maia, e que permite produzir carregadores rápidos que armazenam baterias.
A EDP já investiu em dez postos de carregamento rápido, que são utilizados, em média, 69 vezes por dia e que já proporcionaram um milhão de quilómetros, segundo Miguel Stilwell de Andrade. O administrador da elétrica refere ainda que a empresa pretende "criar uma relação com o cliente que vá além do consumo em casa".
A nova mobilidade também implica a mudança do conceito de posse do veículo e é desafiadora para as fabricantes de automóveis, que terão de encontrar oportunidades noutros serviços. "Em 2025, todos os carros estarão conectados. Por exemplo, se uma válvula se avariar e estiver um carro a cem metros para o reparar, esse processo pode demorar apenas dez minutos", exemplifica Pedro de Almeida, administrador da SIVA. A importadora da Volkswagen em Portugal pretende que um em cada quatro carros vendidos em Portugal em 2025 sejam híbridos ou elétricos.
Apesar de "a maior parte da mobilidade ser feita fora das cidades", é dentro dos espaços urbanos que vão ocorrer as principais transformações na maneira como circulamos, segundo Pedro Rocha e Melo, vice-presidente do conselho de administração da Brisa. Dentro das cidades, "utilizar um carro partilhado é uma forma muito eficiente e é muito mais interessante do que comprar carro novo". A Brisa, através da Via Verde, já antecipou esse cenário e desde setembro ajuda a gerir em Portugal as operações da DriveNow, empresa de carsharing que já realizou mais de 50 mil viagens em território nacional. No futuro, as cidades deverão ficar com "pouco mais de 10% dos carros" que circulam atualmente nos percursos urbanos.
Esta transformação não afeta apenas os automóveis. A Cisco está a desenvolver um projeto-piloto para os autocarros municipais de Braga, que serão transformados em plataforma de informação meteorológica, podem servir como hotspot de internet sem fios e ainda realizar manutenção preditiva, revelou Sofia Tenreiro, CEO da empresa norte-americana em Portugal.
Diogo Ferreira Nunes