
Simon Dixon: Cidades devem abandonar bilhetes de papel

Uma das tendências de futuro na mobilidade urbana é a bilhética inteligente nos transportes públicos, diz o especialista da Deloitte, Simon Dixon.
Quais são as tendências mais fortes dentro da mobilidade urbana? Em termos de tecnologia, eu diria a bilhética inteligente. Em termos de política, a integração do planeamento de percursos e preços entre cidades e subúrbios, especialmente quando isso significa atravessar fronteiras administrativas ou judiciais. Estacionamento e pagamentos integrados, sistemas inteligentes de trânsito e veículos elétricos. As cidades devem investir hoje nisto para liderar amanhã? Sim, sem dúvida. Há toda uma série de aplicações tecnológicas que podem ajudar as cidades a deslocar as pessoas com mais eficiência, otimizar o planeamento de rotas e projetar o sistema de transportes. Que passos as cidades devem dar? Afastarem-se da bilhética de papel e dos regimes de dados padronizados e abertos, o que ajuda no planeamento e permite oferecer melhor experiência ao cliente. Um dos desafios em Lisboa é que a acessibilidade dos transportes públicos é fraca para certos grupos. Que conselhos pode deixar? O principal problema é o peso do automóvel entre os vários meios de transporte. O carro é o meio de transporte com maior custo por quilómetro e representa mais de 50% da mobilidade em Lisboa. A diminuição do custo global de mobilidade em Lisboa implica reduzir o custo por quilómetro nos carros (capitalizando, por exemplo, modelos de partilha) e, principalmente, canalizar a procura para o transporte público. Assim, é fundamental integrar os sistemas de transporte, bem como fornecer soluções de "primeira e última milha" para reforçar os sistemas de transporte público pesado, incluindo a integração com o automóvel. Quais são os benefícios da "mobilidade como serviço"? A mobilidade como serviço junta todos os modos de transporte (em teoria!) num pacote que os utilizadores podem comprar de acordo com as suas preferências individuais. O resultado deve ser um uso mais eficiente de todos os modos de transporte. Como integrar os sistemas? Construir mais estradas? Construir mais estradas nem sempre é a melhor resposta se o resultado for mais impasse. Talvez investir em novos tipos de transporte urbano – como o transporte rápido de autocarro (BRT) – ou em programas de partilha de bicicletas e scooters.Maria João Alexandre