
Transporte elétrico domina lançamento da Mobi Summit

As novas formas de circulação urbana e os seus impactos socioeconómicos estiveram em foco no warm up da Lisbon Mobi Summit. O governo vê aqui oportunidades e riscos e defende o favorecimento do transporte coletivo, investindo na sua descarbonização
O governo vai financiar com 50 milhões de euros a renovação de uma frota de 516 autocarros de transporte público mais amigos do ambiente, 78 elétricos e 438 a gás natural. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado adjunto e do Ambiente na conferência de lançamento da Lisbon Mobi Summit, sexta-feira, na sede da EDP. José Mendes, que exemplificou com este investimento o compromisso do governo em matéria de descarbonização da economia, explicou que "vai permitir a redução anual das emissões em 4900 toneladas de co2".
Na mesma linha, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, manifestou o empenho do executivo em continuar a apoiar o cluster da mobilidade elétrica, através dos fundos do Portugal 2020 e do futuro Portugal 2030. Mas, ao mesmo tempo que saudou as oportunidades criadas pelas transformações em curso na mobilidade, o ministro alertou para os seus "riscos e ameaças, que é preciso antecipar e acautelar".
Dando como exemplo a condução autónoma, Pedro Marques lembrou que "poderá oferecer ganhos de eficiência e segurança", mas poderá também "trazer consequências negativas, com a perda de postos de trabalho ou o aumento da circulação por pessoas não encartadas". O mesmo sucede com a mobilidade partilhada, que tanto é uma solução de racionalização de recursos como poderá "afastar ainda mais as pessoas dos transportes coletivos e comprometer a sustentabilidade dos sistemas públicos de transporte".
E nem a oportunidade da mobilidade elétrica está isenta de consequências, segundo o governante, na medida em que ao tornar-se mais barata "poderá induzir a uma maior circulação automóvel sem resolver as questões do congestionamento e do espaço, pois os elétricos ocupam o mesmo espaço do que os carros a gasolina".
Por isso, Pedro Marques defende que "continuará a fazer todo o sentido uma política de favorecimento do transporte coletivo conjugada com a flexibilidade que as novas soluções de transporte individual proporcionam". E, acrescentou, "sempre numa lógica de diversidade e complementaridade".
"A mobilidade elétrica é uma tendência irreversível e está a acontecer a uma velocidade que muitos não esperavam", apontou o presidente da EDP, António Mexia. O gestor comparou a surpreendente rapidez desta nova vaga com o que aconteceu há cerca de 12 anos com as energias renováveis. "Pensava-se que era algo marginal e hoje é central", disse, revelando que a EDP é hoje o quarto maior produtor do mundo em energias renováveis. Uma posição em linha com o compromisso europeu de redução de 85% das emissões até 2050.
António Mexia abordou também a necessidade de alterações na legislação e fiscalidade. Lembrando que a área da mobilidade vai atrair investimentos de largos milhões de euros, o presidente da EDP deixou um recado ao governo: "Só haverá investimento se se perceber o enquadramento e houver estabilidade de regras."
As novas oportunidades de negócio e desafios abertos pela emergência de novas formas de mobilidade foram destacadas pelo presidente do Global Media Group. Com oLisbon Mobi Summit, agora apresentado e que que decorrerá em setembro, Daniel Proença de Carvalho assumiu querer "colocar Portugal no mapa da revolução mundial da mobilidade".
Carla Aguiar