Volkswagen traz para Lisboa laboratório digital

Nada como consultar a plataforma de recrutamento do Grupo Volkswagen para tomar um esclarecedor "banho de realidade". Sem querer ficar alheio ao esforço de transformação no mundo da mobilidade, o grupo germânico anunciou, no final de 2016, a colocação em marcha do seu plano apropriadamente denominado Transform 2025+, procurando fazer o trajeto de um grupo automóvel tradicional para fornecedor de serviços digitais, com a mobilidade elétrica e autónoma, os serviços de mobilidade e a interação em rede a conduzirem as ideias e a oferta.
Assim, muitas das instalações do grupo são hoje laboratórios digitais, verdadeiros think tanks com uma dinâmica própria e centrada na criatividade.
Um desses centros mais emblemáticos é o de Berlim: num espaço repleto de luz natural e de plantas, um enorme open space enche-se de equipas de programadores, de especialistas em realidade virtual, de gente com a idade da internet.
Todos os projetos envolvem um movimento de criação, sejam eles um software corporativo ou uma solução de mobilidade para veículos autónomos e conectados entre si. Aqui, pensa-se no futuro cada vez mais próximo. E trabalha-se de uma forma inédita no mundo automóvel.
O laboratório – é assim que o Grupo Volkswagen faz questão de lhe chamar – de Berlim é um dos mais recentes de uma rede de centros tecnológicos que o construtor tem vindo a instalar um pouco por todo o mundo.
Além deste na capital alemã, existem ainda em Barcelona, Munique, Wolfsburgo (a cidade-sede da Volkswagen) e, claro, São Francisco, mais exatamente a uns quilómetros a sul, em pleno Silicon Valley.
Ao todo, entre laboratórios, startups e centros digitais, são cerca de quatro dezenas de incubadoras de um futuro que se aproxima cada vez mais rapidamente. Uma corrida que o Grupo Volkswagen quer liderar.
Lisboa atrai peritos
O fabricante germânico está a criar um centro de desenvolvimento de software na capital portuguesa, para servir o Grupo Volkswagen IT e a MAN Truck & Bus AG. O objetivo é que, a médio prazo, cerca de 300 peritos em tecnologias de informação trabalhem nas novas instalações. Soluções de software baseadas em cloud para a digitalização adicional de processos corporativos e para veículos conectados vão centrar o trabalho deste novo centro. Os laboratórios são centros de desenvolvimento de IT com uma filosofia inovadora, concebidos num formato de startup e com uma estrutura autónoma da restante companhia, em especial nos processos. O objetivo é oferecer um ambiente propício à experimentação de novas tecnologias sem influências da estrutura organizativa da empresa. Como se procurasse uma "tábua rasa", um pensamento puro e "fora da caixa". Ecossistemas digitais Trabalhando em cooperação estreita com universidades, instituições de investigação e parceiros tecnológicos, os laboratórios digitais do Grupo Volkswagen têm sido o coração das novas soluções em áreas como a indústria 4.0, big data, análise avançada de dados, inteligência artificial, conectividade e, claro, o crucial mundo da internet das coisas (IoT), no qual se perfilam soluções entusiasmantes na ligação entre o carro e a World Wide Web. No lado corporativo, os laboratórios também funcionam como catalisadores de novos modelos de trabalho e de métodos de recrutamento, entre outros. Com esta estratégia, o Grupo Volkswagen pretende agarrar as novas oportunidades oferecidas pela digitalização, num caminho que irá conduzir a soluções personalizadas de mobilidade inteligente para cada utilizador. Agora, será Lisboa a fazer parte desta história, como sublinha Martin Hofmann, CIO do Grupo Volkswagen: "Queremos recrutar em Portugal especialistas de IT altamente qualificados e bastante motivados. O nosso novo centro de desenvolvimento de software em Lisboa será o decisivo próximo passo. Estamos a deslocar a história de sucesso dos nossos laboratórios digitais em Berlim para Portugal: combinando funções interessantes com os métodos de trabalho ativos mais avançados do cenário de IT", explica aquele responsável que ficará na história da Volkswagen em Portugal.Pedro Junceiro/Motor24