Cimeira da mobilidade vai percorrer o país

2019
11-03-2019

Leis para os carros autónomos, novos passes em Cascais e soluções de carregamento elétrico foram novidades deixadas no lançamento do Portugal Mobi Summit 2019.

O governo quer ter, no espaço de alguns meses, um conjunto de recomendações sobre o enquadramento legal dos testes à circulação de veículos autónomos. "Até ao verão, espero ter um conjunto de propostas do grupo de trabalho", anunciou José Mendes, secretário de Estado adjunto e da Mobilidade, durante o lançamento do Portugal Mobi Summit 2019, o maior evento de mobilidade de Portugal, que decorreu nesta semana na Nova SBE (School of Business and Economics), em Carcavelos. "Serão áreas limitadas, segregadas em algumas horas do dia", explicou o governante. A ideia é "sermos capazes de lançar a regulamentação necessária para termos testes em espaço público, em condições reais de circulação". Tendo esta fase completa, José Mendes acredita poder atrair projetos de mobilidade autónoma para o país. "Os especialistas estimam que dentro de 5 anos vejamos veículos autónomos a circular", disse. Na edição de 2019 do Portugal Mobi Summit estão previstos "debates ao longo do ano em diferentes regiões do país", adiantou o CEO do Global Media Group, Victor Ribeiro. Uma nova ambição pilotada pelo Global Media Group e apoiada por novos parceiros. Além da EDP Comercial, Via Verde e Câmara Municipal de Cascais – que renovam o compromisso – vai ter o apoio da Fidelidade e do CEIIA. Entre abril e junho, estão previstas três sessões em diferentes cidades, com a cimeira internacional a decorrer nos dias 24 e 25 de outubro, na Nova SBE. Daniel Traça, dean desta escola, espera que a cimeira não seja apenas um evento a acontecer numa sala do novo campus frente à praia, "mas que toda a escola viva esta festa da mobilidade e da sustentabilidade", porque "esta é uma escola do futuro que quer contribuir com soluções". Franco Caruso, diretor de Relações Institucionais da Brisa, notou que a experiência e as evidências produzidas pela Brisa mostram que "é preciso transformar a mobilidade". Já a expectativa de João Carlos Mateus, diretor de relações institucionais do CEIIA, um centro de inovação para a indústria da mobilidade, nascido em 1999, é que o evento venha a projetar a imagem de Portugal cá dentro e lá fora. Como fazer chegar as novas soluções de mobilidade a todos e em todos os pontos do país? "Não se deixa ninguém para trás", afirmou José Mendes, defendendo que "as pessoas devem poder aceder à mobilidade a um custo que possam suportar". É neste contexto que surge a redução do preço dos passes de transporte em todo o país, mais precisamente nos 18 concelhos da Área Metropolitana de Lisboa. A partir de 1 de abril, o passe social custará no máximo 40 euros. As crianças até aos 12 anos não pagam e, por família, o pagamento total máximo é de 80 euros (inclui dois passes). Uma iniciativa que visa reduzir o número de carros que entra diariamente em Lisboa. Com lançamento previsto para o próximo mês, está a oferta de dois novos passes em Cascais: o passe municipal e o passe para a área metropolitana de Lisboa. Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, destacou esta inovação que está prestes a chegar aos residentes da smart city Cascais. Por 30 euros, o passe municipal dá acesso ao comboio e a todos os meios disponíveis em Cascais, como as bicas (bicicletas partilhadas) e o carsharing (automóveis partilhados). Já o passe metropolitano custa 40 euros e dá acesso a todos os meios de transporte de Cascais e Lisboa. Pela EDP Comercial, a CEO Vera Pinto Pereira enunciou uma nova solução de carregamento e gestão do consumo de veículos elétricos para as casas dos clientes particulares e para condomínios, que está a ser testado em Lisboa e Porto. A aposta da empresa prossegue ainda nos postos de carregamento públicos. Através de uma parceria com a BP, a EDP inaugurou nove postos de carregamento de veículos elétricos nas suas estações de serviço. Vera Pinto Pereira observou que há uma vontade dos clientes em diminuir a pegada de carbono, ter mais mobilidade partilhada e ter uma experiência digital intuitiva, e afirmou que a EDP está focada em oferecer esses serviços.

Maria João Alexandre

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