Este é o ano do 5G, da nova mobilidade e das cidades mais smart

2019
06-03-2019

Com a tecnologia IoT a amadurecer, a chegada do 5G e o avanço da autonomia, 2019 é o ano em que as cidades se poderão tornar verdadeiramente inteligentes

Se 2018 foi o ano em que as cidades inteligentes arrancaram a sério, 2019 será o momento de pôr o pé no acelerador. O início do ano já trouxe novidades importantes para concretizar esta visão de um ambiente citadino conectado, eficiente e preparado para os desafios da urbanização, em especial nas grandes metrópoles. É esta realidade do futuro de curto prazo que será abordada e debatida no Portugal Mobi Summit, evento de caráter internacional que sucede ao Lisbon Mobi Summit e terá lugar em outubro. Cidades inteligentes, revolução na indústria automóvel e segurança rodoviária serão os principais temas em análise, ao longo do ano, em várias cidades portuguesas, numa altura em que a inovação parece estar a chegar mais rapidamente do que conseguimos absorver.
Com investimentos consistentes nos últimos anos, as soluções viradas para as cidades inteligentes estão a atingir a fase de produção e a ganharem um âmbito mais abrangente, ao invés de projetos isolados em certas autarquias.
No CES 2019, que decorreu em janeiro, houve um espaço exclusivamente dedicado àssmart citiese várias empresas anunciaram pilotos interessantes, incluindo um projeto entre a operadora de telecomunicações AT&T e a cidade de Las Vegas para tornar os postes de iluminação inteligentes através da plataforma da Ubicquia. Em teste estão neste momento soluções de monitorização de consumo de energia, alertas de falhas de iluminação (o que é considerado um risco de segurança numa área onde há muitos turistas) e análise da qualidade do ar, temperatura e níveis de ozono.
Outras novidades relevantes foram dadas esta semana no Mobile World Congress de Barcelona. A Ericsson anunciou que vai "ligar" o 5G globalmente já este ano, o que abrirá possibilidades inéditas na conectividade em larga escala e tornará mais viável projetos de digitalização da vida urbana. A tecnológica sueca anunciou dez acordos comerciais e 42 memorandos de entendimento para levar a nova geração a todo o mundo, com Ásia e Estados Unidos um pouco mais avançados que a Europa.
As cidades inteligentes são indissociáveis dos novos modelos de mobilidade, e também aqui há novidades fresquinhas que vão marcar o futuro da indústria. No início da semana, a Daimler e o grupo BMW anunciaram um mega investimento na criação de um novoplayerdedicado aos carros elétricos, táxis, boleias e estacionamento inteligente, com cinco negócios distintos. Os números são impressionantes: as duas empresas vão investir mil milhões de euros na joint-venture que já é vista como uma ameaça à Uber. As unidades de negócio são a Reach Now, que se dedicará a serviços multimodais; a Charge Now, para o carregamento de veículos; a Free Now, para pedir táxis; a Park Now para encontrar estacionamento; e a Share Now para partilhar boleias.
"Os nossos serviços de mobilidade alcançaram uma forte base de clientes e agora estamos a dar o próximo passo estratégico", disse o chairman do conselho de administração da Daimler e diretor da Mercedes-Benz, Dieter Zetsche, na apresentação do acordo. O executivo explicou que os dois grupos decidiram capitalizar na força de 14 marcas que lhes pertencem nesta área, e onde têm 60 milhões de clientes, e "estabelecer um novo player no mercado de rápido crescimento da mobilidade urbana."
A iniciativa terá grandes implicações e é uma resposta às mudanças de hábitos da nova geração de condutores. Tal como a PwCavisou num relatório recente, os modelos de negócio tradicionais dos construtores automóveis tornaram-se commodities e as necessidades dos clientes mudaram. "Isto pode envolver a passagem da posse de um carro para serviços de pagar-pelo-uso e partilha de boleias", escrevem os autores Jörg Krings e Steffen Hoppe no relatório de tendências.
Na sua intervenção, Dieter Zetsche expressou a intenção de influenciar a mobilidade urbana – não apenas reagir às alterações – e conseguir "o máximo benefício" das oportunidades abertas pela digitalização, serviços partilhados e necessidades diferentes de mobilidade. Mais, a joint venture deixa em aberto a "cooperação com outros fornecedores", incluindo a tomada de participações em startups e players já estabelecidos.
Harald Krüger, chairman do conselho de administração da BMW, afirmou a intenção de criar um "game changer" de liderança mundial. Para os clientes das várias marcas das empresas, incluindo a Beat, Hive, Park-line, RingGo, ParkMobile ou myTaxi, esta integração significa que o acesso ao ecossistema de serviços será mais fácil e sem barreiras, provavelmente com benefícios mútuos. "Temos uma visão clara", disse Krüger, referindo que as cinco unidades vão integrar de forma tão robusta que formarão um "portfólio único de serviços de mobilidade", com uma frota de carros elétricos e autónomos que se carregam e estacionam sozinhos e se ligam a outros meios de transporte. É uma visão ambiciosa, uma pedra de toque na estratégia das duas construtoras ao tornarem-se fornecedoras de mobilidade e não apenas de venda de carros. "A cooperação é a forma perfeita de maximizarmos as nossas hipóteses num mercado em crescimento", disse Krüger, "ao mesmo tempo que partilhamos os investimentos." Que é também uma maneira de mitigar os riscos, algo que todas as empresas neste espaço precisam de fazer para sobreviverem ao impacto que já se adivinha.
Ana Rita Guerra, Los Angeles

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