José Mendes: "Somos o quarto país com mais elétricos vendidos"

2019
11-03-2019

Na semana em que foi publicado o diploma para a redução do preço dos passes, José Mendes revela que a mobilidade elétrica está imparável, com as vendas de janeiro e fevereiro a triplicarem para os 1100 veículos. Também no Estado, as frotas vão ser 50% elétricas, anunciou o governante, que faz um balanço positivo da nova mobilidade operada por plataformas eletrónicas, um mercado onde já atuam mil operadores e mais de seis mil motoristas certificados. Com um plano de investimento global de 900 milhões de euros nos transportes, o governo quer que até 2030 um terço dos carros tenha emissão zero.

Como está a evoluir a expansão da mobilidade elétrica este ano? Continua a crescer fortemente. Os números mais recentes , de janeiro e fevereiro, mostram que a venda de veículos elétricos nos dois primeiros meses do ano quase triplicou face a igual período do ano anterior. Venderam-se 1100 veículos elétricos, praticamente um quarto do que se vendeu em todo o ano passado. Portugal é já o quarto país europeu em termos de percentagem de veículos elétricos vendidos, face ao total das vendas, apenas atrás da Áustria, Suécia e Holanda. Como se explica este protagonismo, tendo em conta o baixo poder de compra em Portugal? Portugal costuma aderir bem às novas tendências tecnológicas. Por outro lado, em regra, as pessoas tomam decisões racionais e quando fazem o confronto entre o custo do veículo, o da manutenção (que praticamente não existe) e o custo da energia, são muitas as situações em que o carro elétrico é incomparavelmente mais vantajoso. Qual o impacto dos incentivos fiscais? Neste ano houve alterações... No incentivo à aquisição passámos a ter três milhões de euros disponíveis, contra 2,6 milhões em 2018, e passámos a apoiar a aquisição de bicicletas e motos elétricas. No caso dos veículos elétricos para privados, o incentivo subiu de 1250 euros para três mil euros. As isenções de ISV e IUC para as empresas mantêm-se. Em paralelo, estamos a investir muito na rede de carregamento. Essa é uma das maiores queixas dos utilizadores de veículos elétricos, que apontam o mau funcionamento de muitos postos de carregamento e alguma escassez de postos... Não é das maiores queixas, porque são apenas alguns e o rácio entre pontos e procura é bom. Mas não podemos parar. Até meados deste mês, o Fundo Ambiental vai destinar 1,5 milhões de euros para apoiar em 50% a fundo perdido o investimento dos operadores em pontos de carregamento rápido. É um incentivo muito grande, que permitirá ter, durante este ano, mais cem postos de carregamento rápido. Outra novidade é que vai ser possível , a partir de 1 de abril, carregar nos parques de estacionamento das grandes superfícies, com a entrada em vigor da segunda fase da liberalização do mercado de carregamento de veículos elétricos. São mais oportunidades em todas as regiões do país. Estamos a cumprir as metas fixadas na Cimeira do Clima para a redução de emissões de CO2? Portugal até está adiantado face aos objetivos fixados até 2030. Nas obrigações relativas aos transportes temos de reduzir as emissões até 26% face às de 2005 e estamos a cumprir perfeitamente. Mas Portugal vai mais além, pois fixou o objetivo de atingir a neutralidade carbónica em 2050. Está agora em discussão pública o roteiro para a neutralidade carbónica, que estabelece metas muito ambiciosas. Que tipo de metas? Vai ser necessário cobrar taxas à entrada das cidades ou impor limites à circulação automóvel? Essa é uma decisão que compete às câmaras municipais. A ideia não é tanto essa, mas ter cada vez mais pessoas em transporte público e, por outro, que as nossas frotas de veículos sejam cada vez mais descarbonizadas. Para termos as emissões reduzidas em 95% até 2050 temos de ter todos os veículos descarbonizados. Só sobrará a aviação e o shipping. O que fizermos nos próximos dez anos é crítico. Por isso, queremos que um terço dos veículos a circular até 2030 sejam zero emissões. Esta é a razão de ser dos incentivos e também do despacho conjunto dos ministros do Ambiente e das Finanças para que 50% das frotas públicas sejam compostas por elétricos. Qual é o balanço em números da chamada nova mobilidade, operada a partir de plataformas eletrónicas? A lei do transporte de veículos descaracterizados a partir de plataformas eletrónicas (TVDE), de finais de 2018, foi pioneira a nível mundial e está a funcionar bem. Temos mais de seis mil motoristas certificados tvde , mais de mil operadores e quatro plataformas certificadas. Além disso alterámos o enquadramento do carsharing, bikesharing e rent-a-car, trotinetes incluídas, que passam agora a ter de se registar e ter novos requisitos, como um call center, para alguma responsabilização. Quanto é que este mercado movimenta e qual o seu contributo para a economia? Não temos esses valores. Mas estas empresas até dão mais garantias ao nível do cumprimento fiscal, porque como a transação comercial é por via eletrónica, reduz a possibilidade de evasão fiscal. O que vai mudar neste ano nas áreas metropolitanas em matéria de mobilidade? A medida mais impactante é a redução substancial do preço dos passes nos transportes públicos, que será maior nas áreas metropolitanas, porque é onde são multimodais e, por isso, mais caros. O programa de apoio à redução do tarifário vai disponibilizar mais de cem milhões de euros, a partir de abril, para todo o país. É uma medida decisiva para captar mais pessoas para o transporte público. Mas, no total, temos um plano de 900 milhões de euros para melhorar a mobilidade, desde a renovação de 715 autocarros, mais amigos do ambiente, aos concursos para as expansões dos metros de Lisboa e Porto e aquisição de dez novos navios para a travessia do Tejo. Na ferrovia também está contemplada a compra de novos comboios, 14 unidades triplas, no valor de 127 milhões de euros. É o regresso do investimento ao transporte público.

Carla Aguiar

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