
Robôs para estacionar carros aceleram testes

Há mais que uma tecnologia a ser testada para acabar com as dores de cabeça na hora de encontrar um lugar para estacionar.
"A vida é como um grande parque de estacionamento", ouve-se no vídeo promocional de uma startup francesa. "Há os desajeitados, mas também os oportunistas, aqueles que ocupam muito espaço e aqueles que não conseguem encontrar um lugar. E depois há os visionários." Estes últimos, descobrimos no vídeo, são os clientes da Stanley Robotics, que criou robôs para facilitar a vida aos condutores na hora de deixarem o seu veículo. Em vez de andarem às voltas no parque de estacionamento, os condutores deixam o carro numa cabine e acionam o pedido num quiosque digital. O robô autónomo encaixa-se por baixo do veículo e leva-o até um lugar disponível, estacionando bem dentro das linhas e sem ser necessário assistente. Ou seja, o robô da Stanley substitui o serviço de estacionamento "valet".
O mercado tem procura, até porque andar às voltas no parque de estacionamento do centro comercial a dois dias do Natal, por exemplo, é uma dor de cabeça que quase toda a gente já teve e ninguém gosta de repetir. De acordo com um novo relatório da Fact.MR, as soluções de estacionamento inteligente valeram mais de 2,6 mil milhões de euros no ano passado, e a previsão é de que o estacionamento "valet" autónomo terá o maior crescimento no futuro próximo. A pesquisa indica, inclusive, que as soluções de automatização do estacionamento "valet" estão a substituir os métodos tradicionais desta opção, que consiste em chegar a algum lado e entregar o carro a um assistente que irá estacioná-lo.
A Stanley Robotics testou o seu sistema no aeroporto Saint-Exupéry em Lyon, França, e está agora na fase inicial de um projeto de implementação no aeroporto de Gatwick, Inglaterra. O plano prevê o aumento da capacidade do parque de 6000 para 8500 lugares devido à ação dos robôs, com os trabalhos de adaptação a decorrerem entre abril e agosto. O parque será frequentado apenas por robôs, limitando problemas decorrentes da utilização pelo público em geral.
E se o carro estacionar sozinho?
É precisamente isto que a Bosch e a Daimler estão a testar no parque de estacionamento do Museu Mercedes-Benz em Estugarda, Alemanha, naquilo a que chamam de "primeiro serviço de estacionamento automático do mundo." O condutor deixa o carro num espaço reservado assim que entra na garagem e, depois de descarregar uma aplicação, faz o pedido de estacionamento através do smartphone. A solução chama-se "Automated Valet Parking" ou AVP, e funciona com sensores da Bosch instalados na garagem e tecnologia de bordo integrada pela Daimler.
Os sensores monitorizam o ambiente e desenham o caminho a percorrer pelo veículo, que responde aos comandos da infraestrutura da garagem. Embora não seja possível fazer isto com qualquer carro, os requisitos não são estratosféricos. É necessário que tenha caixa automática, direção assistida, travão de estacionamento elétrico, ESP (controlo eletrónico de estabilidade), botão iniciar/parar e unidade de comunicação.
"Estacionar será um processo automatizado no futuro", garante Gerhard Steiger, diretor da unidade Chassis Systems Control na Bosch. "Ao aplicar uma infraestrutura inteligente no parque com vários pisos, e usando a rede dos veículos, conseguimos concretizar o estacionamento sem condutor substancialmente mais cedo que o planeado", diz o responsável.
De acordo com a Daimler, este sistema torna mais eficiente a utilização dos espaços de estacionamento disponíveis, uma melhoria de até 20% mais veículos na mesma garagem, e é possível adaptar parques existentes para ganharem a funcionalidade.
Esta parceria entre a Bosch e a Daimler conseguiu a primeira licença mundial do género e o projeto foi monitorizado desde o início pelo conselho regional de Estugarda e pelo ministério de transportes do estado federal. Também foi alvo de análise por parte da autoridade de inspeções técnicas (TÜV Rheinland), que testou a segurança da solução.
"Estamos a aproximar-nos da era da condução autónoma mais rapidamente do que as pessoas suspeitam", nota Michael Hafner, diretor de Condução Autónoma e Segurança Ativa na Mercedes-Benz. "A solução de estacionamento sem condutor no Museu Mercedes-Benz demonstra, de modo impressionante, o quão longe a tecnologia já chegou."
Ana Rita Guerra, Los Angeles