"A transição digital foi acelerada de forma quase histórica na pandemia"

2020
08-10-2020

A Covid-19 fechou o mundo em casa. Recorreu-se mais ao trabalho remoto, ao entretenimento digital, ao comércio eletrónico e, quando surgiu a necessidade, aos serviços, tanto públicos como privados. O Estado e as empresas não estavam preparadas para essa revolução, que serviu de empurrão para a transição digital.

[embed]https://d16c36ny9472c2.cloudfront.net/2020/10/debate_a_transicao_digital_num_mundo_em_pandemi_20201008161352/mp4/debate_a_transicao_digital_num_mundo_em_pandemi_20201008161352.mp4[/embed]   Se houve consequências positivas da pandemia da covid-19 uma delas terá sido a aceleração da transição digital. Ao nível do entretenimento, ao nível do trabalho remoto e ao nível do comércio eletrónico deu-se nestes meses um salto tremendo. "A transição digital foi acelerada de uma forma quase histórica na pandemia", resumiu Bernardo Correia, country manager da Google Portugal, na tarde desta quinta-feira, durante um debate sobre o tema no âmbito da terceira edição do Portugal Mobi Summit. "Fizemos um salto tecnológico em dois meses equivalente ao que esperávamos em dois anos", concretizou Paula Panarra, general manager da Microsoft Portugal, nesse mesmo debate, ele próprio uma prova dessa transição digital, uma vez que dois dos intervenientes participaram via Zoom, uma ferramenta que não é da Google nem da Microsoft. Em palco com a diretora do Dinheiro Vivo, Rosália Amorim, apenas o secretário de Estado para a Transição Digital, André de Aragão Azevedo, que garantiu que também "houve aceleração da digitalização na oferta de serviços públicos". O governante deu o exemplo da escola digital e do projeto "upskills" de requalificação da força de trabalho. Realçando que é preciso "desmistificar a ideia de que a máquina do Estado está aquém do que seria de esperar", André de Aragão Azevedo explicou que o Governo identificou os serviços públicos mais usados e que a aposta maior, incluindo em termos de investimento, será nesses, os quais se situam nas área da Segurança Social, das Finanças e da Justiça. O trabalho com empresas como a Google ou a Microsoft, ambas com assento neste debate, é fundamental e já vem de trás. A Google Portugal, por exemplo, procurou integrar os dados da DGS no próprio motor de busca sobre a covid-19 e ajudar a linha SNS24 a lidar com o aumento do volume de chamadas através da Inteligência Artificial. A plataforma tem um memorando de entendimento com o Governo que visa o apoio à formação e empregabilidade, o apoio ao empreendedorismo e às startups e, finalmente, o apoio ao recurso à Inteligência Artificial. Também a Microsoft, que tem trabalhado igualmente de braço dado com o setor público, dá nota positiva ao Governo. "Tem uma agenda digital bem definida e estruturada", considera Paula Panarra. A general Manager da Microsoft Portugal defendeu que a pandemia terá sido o "empurrão" para um mundo cada vez mais digital. E que o nosso país deve aproveitar o facto de, neste caso, a situação geográfica ser completamente irrelevante. "Não é como se trabalha a partir de casa mas como se re-imagina toda a cadeia de negócio", disse. "É uma oportunidade única, de ganhar uma nova centralidade, para esbater o conceito de periferia", concordou o secretário de Estado para a Transição Digital. Primeiro veio a aprendizagem do trabalho remoto, depois a necessidade de prestação de serviços no digital, realçou Paula Panarra. "Na prática, estamos a falar de um momento em que conseguimos ver a mudança do lado do consumidor. A mudança do lado das empresas vem por arrasto", concordou Bernardo Correia, exemplificando que em Portugal as pesquisas por comércio eletrónico quadruplicaram (no resto do mundo duplicaram) e "as empresas portuguesas não estavam preparadas para esse aumento". Ainda falando em "números estratosféricos e históricos, que mostram a importância do digital para manter o mundo a funcionar", Bernardo Correia, da Google, referiu que o tempo a ver YouTube na TV saltou cerca de 80% ou que a Google Classroom teve cerca de 100 milhões de alunos e professores a usar, o dobro do que no início de março. Por isso, entende que o maior erro seria não aproveitar este empurrão e deixar de olhar para o digital como um pilar em termos de competências. André de Aragão de Azevedo garantiu que isso não acontecerá e que o digital será uma área prioritária ao nível da aplicação dos fundos europeus, nomeadamente ao nível daquilo que o secretário de Estado definiu como um "défice crónico", a iliteracia digital, mas também ao nível da aceleração do digital nas empresas e no setor público.

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