
EDP acelera mobilidade elétrica apesar do travão no automóvel

O Investimento na mobilidade sustentável vai continuar, com a meta de atingir 300 pontos de carregamento até ao fim do ano, revelou a presidente executiva da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira.
Não é porque a pandemia travou a fundo a circulação automóvel que a EDP vai tirar o pé do acelerador na mobilidade elétrica. Pelo contrário, a EDP assume o compromisso de continuar a investir nesta área e de chegar até ao fim do ano com 300 pontos de carregamento elétrico contratados com parceiros estratégicos, revelou a presidente executiva da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira. Ainda há duas semanas, em pleno Estado de Emergência, inaugurou dois novos pontos de carregamento rápido, no Entroncamento e na Venda do Pinheiro, no âmbito de uma parceria com a BP, que prevê um total de 30 para este ano, sete dos quais já em funcionamento. "É também uma forma de apoiar a economia e o regresso à normalidade, mas de forma sustentável", assume a CEO. Porque se é verdade que a quebra drástica da circulação de pessoas e mercadorias teve um impacto inédito nas emissões de dióxido de carbono, parar o planeta não é solução. Daí que a transição energética e a eletrificação da economia e dos transportes, em particular, se apresente, agora mais do que nunca, como a solução para que o Planeta não sufoque com a retoma da atividade, reitera Vera Pinto Pereira. A política da EDP surge, de resto, alinhada com a estratégia da Comissão Europeia, que traçou a meta de um milhão de postos de carregamento elétrico até 2025 no espaço europeu, no âmbito do Green Deal, seguido pela empresa. E está também em sintonia com alguns gigantes da indústria automóvel, como a VW, a Daimler e a BMW, que, apesar do tombo das vendas nestes meses, já vieram a público anunciar que pretendem manter a trajetória de conversão das suas frotas para elétricos e que os objetivos traçados pela UE não devem por isso ser postos em causa. São sinais muito fortes da indústria, que sublinham a inevitabilidade desta transição, ainda que algumas empresas do setor estejam a fazer lobbying para dilatar as metas, face à pandemia. Sinais reforçados também pela publicação, em abril, do mais completo estudo sobre a pegada ecológica de um veículo, que demonstra que, mesmo no pior dos cenários, um elétrico pouparia 22% a 28% de CO2 face a alternativas a diesel ou gasolina. App simula poupança para o bolso e para o ambiente Para ajudar a sensibilizar os automobilistas das vantagens da mobilidade elétrica, a EDP Comercial lançou a EVX, uma app que permite aos condutores de veículos a combustão simularem nas suas viagens a experiência de um elétrico, em termos de consumo, emissões e autonomia. Tendo já sido usada em mais de 410 mil viagens, a EVX permitiu concluir que os utilizadores teriam poupado mais de 315 mil euros se tivessem optado por um elétrico e que em 82% das viagens não tiveram necessidade de carregamento, desmistificando assim um dos principais receios na compra de um veículo elétrico, que é o da autonomia. Por cada viagem, a poupança média seria de 0,76€ euros, sendo que no total os utilizadores da app teriam poupado ao ambiente mais de 290 toneladas de CO2 em emissões. Os resultados do primeiro trimestre deste ano, nesta matéria, são encorajadores, revelando um acréscimo do recurso a esta forma de mobilidade. A EDP Comercial contabilizou 17 mil cartões de carregamento CEME ativos, uma subida de 17% face ao período homólogo, associada ao consumo de energia proveniente de fontes 100% renováveis. E dá o seu contributo com a eletrificação da sua frota, que já conta 239 veículos 100% elétricos e 44 híbridos, cumprindo assim metade das metas definidas até 2022. Embora ainda existam muitas incógnitas sobre o impacto real da atual pandemia na mobilidade e sobre o que virá a ser o "novo normal", tudo aponta para o surgimento de mais modelos de negócio ligados à mobilidade sustentável com impacto na sustentabilidade das cidades, na diminuição da circulação e na otimização dos recursos disponíveis. Para já, a mobilidade faz-se também nas plataformas digitais, um pouco por todo o mundo e também na EDP, com a larga maioria dos seus trabalhadores em regime de teletrabalho, "um modelo há muito usado na empresa, e cada vez mais regular, até pela sua atividade dispersa por 19 geografias", refere fonte da elétrica nacional. Veja mais sobre o Portugal Mobi Summit 2020 em www.portugalms.comCarla Aguiar