A EDP iniciou a sua transição digital em 2017, tendo já banalizado a videoconferência. "Sem a pandemia, demoraria uma geração" para os portugueses, diz Ferrari Careto.
Sem o Estado de Emergência provocado pela pandemia "iria demorar o espaço de uma geração para trazer esta quantidade de gente para este nível tecnológico e implicaria um investimento massivo em formação", considera José Ferrari Careto, diretor da Digital Global Unit da EDP. O responsável refere-se à adaptação de milhões de pessoas ao teletrabalho em tempo recorde e às múltiplas ferramentas tecnológicas para videoconferências ou aulas à distância.
Por isso, Ferrari Careto acredita que há que "retirar elementos positivos da fase que estamos a passar, apesar de todos os aspetos negativos que esta pandemia está a trazer à vida das pessoas e à economia". Em primeiro lugar, indica, "quebraram-se alguns tabus sobre o trabalho remoto, tornando-se agora evidente que o teletrabalho pode funcionar e o que antes era visto como uma exceção agora é o novo normal, o que significa que o tabu foi ultrapassado".
Por outro lado, acrescenta, "há aqui uma franja vasta da população que fez uma imersão total na tecnologia, num regime acelerado de formação que vai deixar marcas muito positivas para o futuro em alunos, trabalhadores e professores".
EDP antecipou a transição
Uma realidade que o Grupo EDP antecipou em alguns anos quando ativou o seu programa de transformação digital, entre novembro de 2017 e maio de 2018, culminando com uma nova área dentro do grupo que liga as tecnologias de informação (IT) à transição digital. "Muito antes desta crise da covid-19 banalizámos as videoconferências dentro do grupo e investimos em formação", explica aquele responsável. "Agora, o ritmo foi intensificado, por razões óbvias, mas não é uma novidade para nós".
As vantagens da utilização deste tipo de ferramentas tecnológicas são fáceis de perceber num grupo com cerca de 12 mil colaboradores e que atua em 14 geografias distintas. E já funcionavam para poupar deslocações dos quadros do grupo tanto dentro do país como para fora.
Por isso, e respondendo à provocação da primeira sessão do Portugal Mobi Summit "o digital é a nova mobilidade?", Ferrari Careto não hesita em concordar, na medida em que "a mobilidade é, agora, virtualizada através do digital".
Sobre a EDP em particular, garante que, neste momento, a empresa "é fortemente digital, nas tecnologias, nos processos e nas pessoas". Mais, segundo uma avaliação do IDC e da Universidade Católica, a empresa encontra-se numa posição de vanguarda face às suas congéneres europeias.
E isso mede-se na produtividade. Apesar de mais de 70% dos trabalhadores da empresa estarem em trabalho remoto, e de haver nisso vantagens e desvantagens, o responsável pela digitalização da EDP não hesita em identificar algum aumento da produtividade em algumas áreas, referindo, por exemplo, que "as reuniões por videoconferência são agora muito mais focadas, sem atrasos, nem demoras em conversas laterais".
Também para os clientes, a digitalização já estava em marcha, com as faturas eletrónicas, contadores inteligentes, comunicação de leituras, verificando-se que nestes últimos meses, as pessoas começaram a usar mais as ferramentas que já estavam disponíveis, assinalou.
Na frente dos clientes da mobilidade elétrica, os avanços na digitalização também se notam, por exemplo, na app EVX, criada para simular a experiência de condução num veículo elétrico, registando as possíveis poupanças ao nível de combustível, de emissões de CO2 e os indicadores de autonomia. Ou também nas soluções personalizadas para carregamento de veículos elétricos em condomínios, que têm sido desenvolvidas dentro do grupo.
Carla Aguiar