Nuno Pinto. "A EDP posiciona-se agora para liderar a mobilidade elétrica no Brasil"

2020
30-09-2020

Do outro lado do Atlântico, a transição energética está só no início. Esta é a oportunidade estratégica para assumir o protagonismo num mercado em grande evolução e com enorme potencial, diz o gestor de mobilidade da EDP Brasil.

Entrar no mercado brasileiro, qualquer que ele seja, será sempre um desafio do tamanho de um continente. Há concorrência, dispersão geográfica ou realidades locais muito distintas. Mas há também grandes oportunidades que têm o tempo certo para serem agarradas. No outro lado do Atlântico, a aposta da EDP é chegar antes de todos para se afirmar entre os primeiros no segmento da mobilidade elétrica. Como é que essa estratégia começou e como irá evoluir nos próximos anos é a experiência que Nuno Pinto, gestor de mobilidade, produtos e serviços da EDP Brasil levou esta quarta-feira até aos estúdios da TSF para mais uma entrevista do Portugal Mobi Summit. Comecemos então pelos mais de 65 milhões de veículos a circular nas estradas brasileiras, dos quais 20 mil elétricos ou híbridos. Uma ínfima parte está, portanto, no caminho das energias limpas. Essa é uma perspetiva possível. A outra é a expetativa de chegar a 2030 com mais de dois milhões de viaturas movidas a eletricidade, passando, a partir daí, a 200 mil vendidas a cada ano. Com estes números e estes cenários já dá para se ter a ideia de como o Brasil é um país com um "potencial enorme" não só nas vendas como na transição para a neutralidade carbónica, defende Nuno Pinto: "A EDP quer assumir um papel de protagonista com os muitos projetos já em curso e outros tantos previstos para o futuro." A estratégia arrancou em 2018 quando a operadora de energia instalou o primeiro corredor entre o Rio de Janeiro e São Paulo, com seis "eletropostos", permitindo aos condutores de carros elétricos percorrer os 450 quilómetros da Rodovia da Presidente Dutra. E prosseguiu, no final do ano passado, com 30 pontos de carregamento ultrarrápidos e outros 30 semirrápidos espalhados por todo o Estado de São Paulo.

A aposta nas parcerias

A expansão está no início e assente nas parcerias criadas com os maiores fabricantes de automóveis. A BMW, no primeiro projeto, e a Audi, a Porsche e o grupo Volkswagen no segundo: "Ter marcas relevantes ao nosso lado aproxima-nos do utilizador final", explica o gestor de mobilidade, produtos e serviços da EDP Brasil. Esta é, aliás, a chave para construir e adaptar a rede à medida das necessidades dos condutores: "São eles que circulam na estrada e que, portanto, nos dão a noção dos melhores locais e dos circuitos para a mobilidade elétrica." Depois há ainda o setor do transporte público – dos autocarros elétricos em particular – que são cerca de 500 mil em circulação e que representam mais uma oportunidade. O Estado de Espírito Santo é o primeiro a beneficiar do projeto-piloto que a EDP lançou em parceria com o grupo Águia Branca. E, por fim, um hub de carregamentos que a operadora elétrica quer avançar juntamente com empresas de soluções de carsharing. Três projetos, que são os mais recentes e que somam um investimento de cerca 50 milhões de reais (7,5 milhões de euros): "É um valor que demonstra quais são, de facto, as nossas apostas." O mercado da mobilidade elétrica está a dar os primeiros passos e está em grande evolução – avisa Nuno Pinto. E essa é a principal razão por que a EDP se quer "posicionar agora como um dos primeiros a inaugurar o caminho para as energias limpas no Brasil".  
Nuno Pinto, gestor de mobilidade da EDP Brasil, foi o convidado da entrevista do PMS 2020, conduzida pelo jornalista Paulo Tavares.

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