Depois da pandemia, a reconstrução da mobilidade nos centros urbanos será ainda mais marcada pelas alternativas sustentáveis e soluções digitais, defende a diretora-geral da Microsoft Portugal.
Agora que a normalidade vai entrar gradualmente nas rotinas, é tempo de pensar na reconstrução da economia. Não se trata de fazer
reset e partir do zero, mas o isolamento social provocado pela pandemia obrigou a repensar muito do que antes se tinha por adquirido. O confinamento trouxe alterações bem mais profundas do que o uso generalizado das tecnologias para trabalhar, consumir e fazer negócios – avisa Paula Panarra, diretora-geral da Microsoft Portugal. "Estou convencida de que todos nós vamos começar a questionar antes de repetir velhos hábitos."
Deslocações diárias e até a forma como se vivem as cidades poderão deixar de ser gestos automáticos: "Estamos perante uma grande oportunidade para encontrar alternativas sustentáveis que nos permitam redesenhar a mobilidade das cidades e da própria retoma da economia." Não são apenas as deslocações que, com o recurso ao digital, poderão vir a ser reduzidas ao essencial ou, pelo menos, mais "planeadas e faseadas ao longo do dia". É também a urgência de integrar novos hábitos nas dinâmicas dos centros urbanos:
"Se antes já havia uma grande sensibilização para as questões ambientais, agora essa consciência estará ainda mais presente com boa parte da população a valorizar ainda mais o impacto dos espaços verdes e zonas ribeirinhas no bem-estar".
E esse é o motor para acelerar políticas e medidas que nos conduzam ao futuro digital e sustentável, defende a responsável da Microsoft Portugal. "Vai ser muito interessantes ver como os negócios, as organizações, as cidades e a sociedade se vão reconstruir e reorganizar com uma consciência da pegada de carbono muito maior do que aquela que se tinha antes da pandemia."
Embora boa parte desse caminho já esteja feito através das infraestruturas digitais criadas ao longo dos últimos anos, há ainda desigualdades sociais e económicas que precisam ser corrigidas.
A "democratização" das ferramentas digitais é, por isso, um passo obrigatório, mas de pouco valerá se não houver também formação para a sua utilização. "Trata-se aqui de criar condições para que ninguém fique para trás naquilo que são as novas realidades e as formas de vida suportadas nas tecnologias." Essa será, aliás, a missão das tecnológicas e, em particular da Microsoft, esclarece a diretora-geral. "Nós, enquanto empresa, continuamos a apostar nessa procura de modelos que tornem as tecnologias como serviços tão acessíveis como hoje é a televisão, a eletricidade ou o gás."
Investir na literacia digital é, portanto, a chave pois quanto mais preparadas estiverem "as pessoas e as organizações" mais partido poder-se-á tirar das vantagens que as tecnologias oferecem. "Essa é uma parte da equação em que, aliás, estamos a fazer um esforço grande enquanto empresa na disponibilização de formação gratuita", conta Paula Panarra, dando como exemplo o site Microsoft Learn onde estão disponíveis até dois mil cursos em todos os tipos de tecnologias e com "todos os níveis de especialização".
O acesso e formação são dois dos pilares para a retoma e evolução da economia, mas há um terceiro aspeto a ter em conta que, todavia, já está assegurada, relembra a responsável da Microsoft. "Temos o privilégio de ter uma boa infraestrutura que será determinante para criar negócios a acontecer de Portugal para o mundo." Negócios que, naturalmente, estão dependentes das boas ideias, do talento e capacidade de execução de empresas e empreendedores. "Hoje a grande vantagem do digital é a possibilidade de escalar rapidamente a um nível planetário", remata Paula Panarra.