Preparar o mercado para o "crescimento massivo" dos veículos elétricos é um desafio urgente.

2020
03-10-2020

Quem não comprou carro neste ano por causa da covid-19 irá optar agora pela mobilidade elétrica, antecipa Andreas Blin, da has-to-be.

  A mobilidade elétrica sofreu um enorme recuo com a covid-19. Nos meses de abril e maio, a quebra nos carregamentos públicos rondou os 85% em todo o planeta. Com a crise que se avizinha na economia mundial, o seu caminho é ainda mais incerto, mas Andreas Blin, diretor de vendas internacionais da has-to-be, está convencido de que a pandemia se transformará muito rapidamente no maior impulso que as energias limpas precisam para acelerar a marcha. "Acredito que, no médio-longo prazo, haverá grandes benefícios", defende o responsável pelos negócios internacionais da empresa austríaca que está entre os líderes no mercado dos carregamentos elétricos. Se a indústria automóvel está entre as principais afetadas pelas consequências do confinamento, o que se espera no futuro próximo é que a procura pelos veículos elétricos seja a grande prioridade dos consumidores: "Boa parte das pessoas que não compraram um automóvel neste ano serão precisamente aquelas que, nos próximos anos, irão optar pelos carros elétricos, e isso poderá vir a ser um grande empurrão para a transição energética", antecipa Andreas Blin, na entrevista do Portugal Mobi Summit. Preparar o mercado para o "crescimento massivo" nos próximos anos é o desafio urgente para os principais agentes da mobilidade elétrica. A rede de carregamentos terá de se ramificar, as tecnologias precisam de acelerar e a indústria automóvel tem de estar preparada para responder à procura, avisa Blin: "O que vemos é o início de uma curva ascendente com o número de viaturas elétricas a usar os postos públicos a subir consistentemente todos os meses", diz o diretor de vendas internacionais da has-to-be. Não somente a infraestrutura terá de acompanhar este movimento, como as marcas de automóveis terão de assegurar a disponibilidade dos veículos no mercado: "Vemos, aliás, que as grandes marcas, como a Volkswagen, a Audi ou a BMW têm, neste momento, os seus principais modelos elétricos esgotados ou a caminho disso." O que aí vem, diz Andreas Blin, é a "nova era da mobilidade". E não são só as energias limpas as grandes impulsionadoras da mudança. As tecnologias desempenham também um papel decisivo: "Estamos no início de um caminho que vai abrir portas a muitos novos modelos de negócios." Os carregamentos terão de ser cada vez mais simples, confortáveis e rápidos. E, neste aspeto, a "integração digital" será a chave para "inúmeras possibilidades". Carregamentos de veículo para veículo, cartões a proporcionar a mobilidade como um serviço, apps com as mais variadas funções, como viajar entre países com os transportes assegurados. "Não, as soluções ainda não existem, mas não faltará muito para chegarem ao mercado", diz o gestor da has-to-be.  
Andreas Blin, da has-to-be, foi o convidado da entrevista PMS, conduzida por Paulo Tavares.

Artigos relacionados

Steve Oldham. "A poluição do passado é o maior desafio do presente"

É preciso agir agora para não trazer o automóvel de volta

Gustavo Monteiro: "É preciso aumentar em 20 vezes os postos de carregamento até 2025"