Alexandre Fonseca. "Exigimos respeito por quem investe todos os anos 80 milhões em inovação"

2021
22-10-2021

Presidente da Altice acusa Anacom de "ataque feroz" e critica governo por aumentar os encargos do setor. À margem da cimeira, Alexandre Fonseca também garantiu que a operadora não está à venda.

Presidente da Altice acusa Anacom de "ataque feroz" e critica governo por aumentar os encargos do setor. À margem da cimeira, Alexandre Fonseca também garantiu que a operadora não está à venda.

Carregado de "muitos milhões" já investidos em infraestruturas e serviços prestados às populações, o presidente executivo da Altice subiu ao palco da cimeira Portugal Mobi Summit determinado a demonstrar que não irá aceitar o "ataque feroz" contra o setor das comunicações. A "hostilidade" não vem somente da Autoridade Nacional de Comunicações, mas também do Governo que quer "duplicar" a taxa dos serviços de televisão por subscrição ou pôr os privados a pagar a tarifa social de internet. "Hoje, vivemos momentos de desnorte na regulação", defendeu Alexandre Fonseca, apontando também o alvo a este Plano de Recuperação e Resiliência, que "se esqueceu" do setor. Sem rumo e "com falta de visão" para uma estratégia digital, assim vai o país, segundo Alexandre Fonseca, que, quer ver as operadoras de comunicações a serem reconhecidas pelo seu papel nas transformações social, tecnológica e económica: "Pedimos – ou melhor, exigimos – respeito por quem investe todos os anos 80 milhões na área da inovação." E para que não restem dúvidas, o presidente da Altice trouxe consigo os indicadores que revelam a "liderança" de Portugal perante a Europa: "A taxa de fibra ótica já cobre seis milhões de casas e 90% da população". O 4G chega a 99,5% dos residentes e, por fim, os confinamentos vieram provar que as redes "estiveram à altura do desafio", contrastando com os "apagões" que aconteceram pela Europa. "Quando falamos de sustentabilidade e de mobilidade é preciso ter a noção de que os indicadores são fruto de investimento privado", defendeu Alexandre Fonseca. A fibra ótica, as redes 4G e a aposta no 5G que se avizinha nos próximos meses, tudo isso é hoje e será no futuro "made in Portugal", relembra o responsável. Ainda antes de iniciar a sua intervenção na cimeira, o presidente executivo da operadora de comunicações, já pedia, aliás, a demissão do responsável máximo da Anacom por "não ter competência" para o cargo: "Estou em sintonia com o primeiro-ministro quando ele reconhece que este modelo de leilão 5G é o pior possível", insistiu Alexandre Fonseca. Questionado pelos jornalistas, também quis deixar bem claro que a "Altice não está à venda", não esclarecendo, porém, se existem eventuais interessados na sua compra, apesar de a agência Bloomberg ter identificado ontem cinco possíveis compradores ou investidores. O futuro da Altice foi o tema extra e à margem da cimeira que Alexandre Fonseca quis arrumar o mais depressa possível porque o que o levou ao Portugal Mobi Summit foi a defesa das empresas: "São elas que pagam impostos, são elas que fazem crescer o país e mereciam mais", lamenta o responsável, assegurando que a operadora de comunicações está "empenhada" em apoiar o tecido empresarial com conhecimento, tecnologia e competências. E se o presente parece turvo aos olhos de Alexandre Fonseca, o futuro, esse, será mais promissor, promete: "Temos a ambição de ligar as pessoas à vida." E a vida, neste caso em especial, traduz-se a "capilaridade" e no acesso às redes para todas pessoas, desde o "profundo Alentejo" à "interioridade" de Trás-os-Montes. A ambição, no entanto, exige colaboração entre o público e o privado, adverte o presidente da Altice, lançando um repto final: "Do nosso lado, estamos recetivos para investir em parcerias, aguardamos o que nos têm para oferecer do outro lado."

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