Europa segue o desempenho climático de 10 países

2021
24-05-2021

Ferramenta online do projeto Life Unify mostra que Portugal tem bons resultados em seis áreas, mas precisa melhorar em setores-chave como transportes, indústria ou consumo de energia final.

Ferramenta online do projeto Life Unify mostra que Portugal tem bons resultados em seis áreas, mas precisa melhorar em setores-chave como transportes, indústria ou consumo de energia final.

As metas para neutralidade carbónica na União Europeia estão definidas desde 2019. Sabemos quais as estratégias previstas e estamos também conscientes da urgência em cumprir esses objetivos. O que faltará conhecer, no entanto, são os efeitos concretos dos compromissos assumidos por cada estado-membro. E é por isso que o projeto Life Unify lançou recentemente o Rastreador dos Planos Nacionais de Energia e Clima (PNEC). A ferramenta vai monitorizar, até 2022, o desempenho de 10 países, entre os quais Portugal, avaliando as emissões de gases com efeito de estufa e detalhando também os resultados alcançados em setores-chave como o transporte, a indústria, a energia ou a agricultura. A ideia é, no fundo, perceber qual é o ponto de partida, dando uma indicação importante sobre a evolução na transição energética. Ao comparar os dados mais recentes, cada estado-membro poderá avaliar se está no caminho certo ou, pelo contrário, a desviar-se das metas traçadas nos seus planos nacionais de energia e clima. No site da iniciativa, é possível navegar no mapa interativo e conhecer a realidade da Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Estónia, França, Alemanha, Polónia, Portugal, Eslovênia e Espanha. E, carregando de imediato no território português, descobrimos que as emissões líquidas de gases com efeito de estufa (GEE) tiveram uma redução de 25,8% face a 2005, cumprindo assim a trajetória fixada no plano nacional, que previa uma redução de 18% a 23% até 2020. Mas nem tudo corre bem com estratégia de Portugal para atingir a neutralidade carbónica. Transportes, agricultura, indústria, consumo de energia final e ainda fontes renováveis no setor da eletricidade são as cinco áreas que estão no vermelho. A ferramenta do Life Unify exibe um código de cores para demonstrar os pontos fortes e fracos – os valores a verde indicam que o desempenho está dentro das metas e o vermelho mostra que o país ultrapassou os limites. Setores como a construção civil, a energia, o desperdício, e as áreas como as emissões brutas e líquidas de GEE ou a participação de energia renovável no consumo final estão todas dentro de parâmetros aceitáveis. O relatório do Life Unify, no entanto, alerta para a "grande variabilidade" em Portugal das emissões brutas de GEE resultantes do uso de terrenos, o que poderá comprometer as metas de descarbonização até 2050. Este setor, em particular, apresentou, em 2019, uma variação brusca de 180% em comparação com os dois anos anteriores, fenómeno que poderá estar relacionado com os grandes incêndios florestais ocorridos em 2017. No conjunto dos 10 países, o que a ferramenta demonstra é que a União Europeia precisa de melhorar as suas estratégias para prosseguir com sucesso a transição para as energias limpas. Pelo menos, é essa a conclusão retirada do relatório. A Comissão Europeia, aliás, já incitou os estados-membros a rever os planos nacionais para aumentar a capacidade de resposta com vista a cumprir os desígnios climático e energético.

Metas mais ambiciosas

Elevar o nível de ambição a fim de reduzir até 2030 as emissões de gases com efeito de estufa em, pelo menos, 55%, face aos valores de 1990, é o novo patamar que está agora a ser delineado nas propostas legislativas. Em março de 2020, a Comissão lançou uma consulta pública, convidando cidadãos e todas as partes interessadas a pronunciar-se sobre medidas necessárias para alcançar as novas metas. Mais de quatro mil contribuições recebidas serviram de base para elaborar o plano. A próxima etapa, agora, passa por examinar e, se necessário, propor até junho deste ano, o ajuste de todos os instrumentos estratégicos para alcançar uma redução suplementar de emissões que, dos atuais 40%, subirá para 55%. Reforçando a urgência de os governos intensificarem as políticas climáticas, os promotores do Rastreador dos PNEC asseguram, por seu turno, que irão continuar a monitorizar os progressos e os recuos para responsabilizar cada estado-membro e evitar que adiem os compromissos assumidos no Pacto Ecológico Europeu.  
Ranking da mobilidade e de gases com efeito de estufa (GEE)
[flat_box icon="icon-lamp" icon_image="" background="" image="" title="" link="" target="" animate=""]Emissões dos Transportes (MtCO2e) Estónia – 2,41 Eslovénia – 5,82 Croácia – 6,4 Dinamarca – 15,2 Portugal – 17,75 República Checa – 20,3 Polónia – 66,1 Espanha – 91,4 França – 135,9 Alemanha – 162,28[/flat_box]   [flat_box icon="icon-lamp" icon_image="" background="" image="" title="" link="" target="" animate=""]Emissões brutas de GEE (MtCO2e) Eslovénia – 17,6 Estónia – 19,97 Croácia – 23,80 Dinamarca – 48,24 Portugal – 63,6 República Checa – 123,3 Espanha – 334,3 Polónia – 412,9 França – 440,7 Alemanha – 858,37[/flat_box]    

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