Grandes empresas apontam as tendências do teletrabalho

2021
21-06-2021

Modelos híbridos entre casa e escritório ou maior liberdade para escolher como e onde se quer trabalhar são as tendências a surgir nas tecnológicas e bancos internacionais.

Modelos híbridos entre casa e escritório ou, então, maior liberdade para escolher como e onde se quer trabalhar são as principais tendências a surgir nas tecnológicas e bancos internacionais.

A esta fase da crise pandémica, já ninguém duvidará que o teletrabalho veio para ficar. Ao longo do último ano, milhões de pessoas suspenderam as deslocações para o escritório e experimentaram trabalhar em casa pela primeira vez. O tempo poupado permitiu maior disponibilidade para a vida privada, mas também mais liberdade para as famílias que sempre quiseram viver longe dos centros urbanos. Estamos, por isso, no epicentro de uma transformação do mundo laboral, com as grandes empresas a apontarem o caminho. A escolha entre escritório e trabalho remoto vai passar a ser binária, mas quais os modelos que irão dominar? É cedo ainda para conclusões definitivas, embora as multinacionais como as tecnológicas ou os bancos internacionais já estejam a delinear duas grandes vias. Se por um lado, a estratégia tem se focado numa distribuição equilibrada entre casa-escritório, por outro, experimenta-se uma solução em que se oferece aos colaboradores a oportunidade de escolherem onde e como querem trabalhar.

Modelos mistos

Grandes empresas como o Deutsche Bank, por exemplo, planeiam permitir o teletrabalho até três vezes por semana. O anúncio, feito em inícios de maio, já foi considerado como uma das políticas mais flexíveis entre os grandes bancos internacionais. James von Moltke, diretor financeiro do banco sediado em Frankfurt, explicou durante uma entrevista concedida à Bloomberg Television que a flexibilidade andará à volta dos 40% aos 60%, cabendo a cada funcionário a fazer a gestão do tempo, mas sempre com antecedência para permitir a articulação com os restantes funcionários e serviços. Esta opção por um modelo híbrido também será adotada pela PwC que, em finais de março, anunciou a possibilidade de os seus funcionários poderem trabalhar em casa duas vezes por semana com a hipótese de começarem mais cedo ou mais tarde. Paralelamente, a consultora internacional implementou também um novo esquema nos horários para os cerca de 1600 colaboradores dispersos por Portugal, Angola e Cabo Verde. Desde 1 de maio e até 30 setembro, todos poderão escolher oito sextas-feiras nas quais podem tirar a tarde para se dedicarem à família ou aos projetos pessoais. E, abril, foi a vez da Google decidir que, a partir de 1 de setembro, todos os colaboradores que pretendam recorrer ao teletrabalho mais de duas semanas por ano deverão solicitá-lo formalmente à empresa. A gigante tecnológica permite o trabalho remoto até 12 meses, mas apenas em casos excecionais. A regra que deverá vigorar, no entanto, é que os funcionários estejam pelo menos três dias por semana no escritório.

Mais liberdade

Ao optar por esquema misto, a Google mostra-se empenhada em seguir um rumo oposto a boa parte das grandes tecnológicas. A Microsoft, o Facebook, o Twitter ou o Spotify também já definiram as linhas gerais dos seus modelos de teletrabalho, estando muito inclinados a ir mais longe nas possibilidades que querem oferecer aos funcionários. As diretrizes da Microsoft, conhecidas no ano passado, permitem trabalhar a tempo inteiro em casa, mediante aprovação. Os colaboradores poderão até escolher uma outra cidade para viver, mas os salários serão ajustados ao poder de compra do novo local de residência. O Twitter, entretanto, já fez saber que os funcionários podem continuar a trabalhar indefinidamente a partir de casa, se o desejarem. E o Spotify deu a escolher entre ficar a tempo inteiro em casa ou no escritório ou, então, intercalar as duas modalidades. Os planos do Facebook são ainda mais ambiciosos, com o presidente-executivo Mark Zuckerberg a estimar que dentro de uma década, mais de metade dos cerca de 48 mil funcionários vão estar a trabalhar em casa. Em maio do ano passado, a empresa anunciou que iria permitir a "alguns" dos funcionários a possibilidade de trabalharem remotamente em todos os dias da semana. A decisão, a primeira entre as maiores empresas de tecnologia, é uma mudança radical para uma cultura de negócios centrada no escritório. Os primeiros modelos começam agora a surgir, mas os especialistas avisam que, apesar dos benefícios no bem-estar dos colaboradores e na produtividade das empresas, é preciso estar atento aos perigos como o isolamento ou o stress com a gestão da vida familiar. Esse é o alerta que surge também no documento "A (In)sustentabilidade do Teletrabalho" da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Para combater esses riscos, as empresas precisam delinear desde já estratégias não só para melhorar a comunicação interna, mas também para envolver os trabalhadores no planeamento da carga horária e na implementação de uma avaliação psicológica regular.

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