João Neves. "Os próximos 15 anos vão ser muito desafiantes"

2021
21-10-2021

As inovações da indústria nacional ligada ao automóvel terão de acontecer neste período para marcar posição nos mercados externos, defendeu hoje o secretário de Estado Adjunto e da Economia no Portugal Mobi Summit.

"Os próximos 15 anos vão ser muito desafiantes" para a indústria automóvel, mas também para a sociedade no seu todo, disse o secretário de Estado Adjunto e da Economia, no encerramento da sessão da ACAP, no âmbito do Portugal Mobi Summit. João Neves referia-se ao processo de transição energética e digital que enfrenta a sociedade, às políticas públicas de urbanismo, mas especialmente à reorganização da indústria automóvel que terá de acontecer neste quadro de acelerado ajustamento às metas ambientais. "É um desafio de enorme importância e magnitude que exige respostas globais , mas também ao nível local", considerou. O governante considerou que no caso de Portugal "há que refletir e ajustar a nossa especialização produtiva". Pois, vão surgir novas realidades, novas tecnologias e vamos ter maiores dificuldades de adaptação em áreas de produção relacionadas com cadeias de menor valor. Por essa razão, João Neves defende que as novas soluções que o País tenha para oferecer nos nossos mercados externos "têm de acontecer neste período de tempo". Para ganhar tempo, para marcar terreno. O secretário de Estado assegurou que do lado das políticas públicas será feito um esforço sério para facilitar este período de ajustamento à indústria com uma atenção particular às atividades de maior valor acrescentado. E deu o exemplo das baterias e da cadeia de valor à volta do lítio. João Neves considerou que para a consolidação da mobilidade elétrica "é preciso que se possam desenvolver novos tipos de baterias", uma área em que acredita na inovação para que nasça uma nova geração de baterias. Do lado da resposta industrial, o secretário de Estado Adjunto lembrou que toda este processo de ajustamento é muito relevante para a economia nacional, tendo em conta que um terço das nossas exportações giram à volta dos componentes ligados ao setor automóvel. A indústria vai pois ter de criar a capacidade de gerar novos produtos, ao mesmo tempo que destrói outras áreas e se refunda, concluiu o governante, que elogiou o Portugal Mobi Summit pela possibilidade de colocar todos os diferentes agentes em debate.

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