Mark Watts: "Temos de seguir a ciência porque estamos a chegar ao limite"

2021
20-10-2021

O diretor executivo da rede de cidades C40, que lidera esforços para reduzir as emissões e transformar o espaço urbano, considera que o aumento da temperatura global não deve ultrapassar 1,5 graus.

O diretor executivo da rede de cidades C40, que lidera esforços para reduzir as emissões e transformar o espaço urbano, considera que o aumento da temperatura global não deve ultrapassar 1,5 graus.

"É preciso que as cidades mostrem que todo o dinheiro que gastam está a contribuir para melhorar o ambiente", apelou Mark Watts durante a intervenção desta manhã no Portugal Mobi Summit, que decorre em Cascais. O diretor executivo da rede de cidades C40, que luta pela transformação do espaço urbano e pela redução das emissões de carbono, realça a importância de existir "ação imediata" dos governos, nacionais e locais, no combate às alterações climáticas. O especialista em sustentabilidade deu vários exemplos de cidades que estão a implementar soluções, mais ou menos inovadoras, neste sentido. "Paris tem construído muitos quilómetros de ciclovias nos últimos anos", afirma, lembrando o impacto de iniciativas como esta, que permitem "reduzir o tráfego, a poluição e o barulho" nas metrópoles. Watts defende que é preciso devolver o espaço citadino aos cidadãos e criar mais zonas verdes que, diz, podem ajudar na mitigação das consequências das alterações climáticas em maior medida do que "soluções caras de engenharia". Este investimento na gestão do espaço verde das cidades é particularmente importante em zonas geográficas economicamente mais desfavorecidas, como acontece em muitos locais de África. "Vemos realmente o gap de investimento entre as cidades do Norte e do Sul, pelo que existe uma responsabilidade das nossas cidades mais ricas contribuírem com financiamento", assinala. Ao longo da sessão em que participou, no âmbito da cimeira Portugal Mobi Summit, Mark Watts disse ainda que é preciso " dizer a verdade às pessoas" sobre a situação climática, elogiando o contributo "fundamental" dos movimentos juvenis pelo clima. "Há aqui uma grande oportunidade para uma muito maior qualidade de vida e prosperidade", aponta, referindo-se a um futuro mais verde e sustentável também na economia. Como medidas, além da aposta na criação e expansão dos espaços verdes, o especialista sugere a eletrificação dos transportes públicos, incluindo autocarros e táxis, mas também mais investimento no desenho das cidades. "Muitas cidades que estão a investir na produção da sua energia limpa", afirma, considerando que este é o caminho a ser seguido. Sobre o papel que a rede C40 tem tido – recorde-se que junta perto de uma centena de cidades de todo o mundo -, Watts explica que a organização "adotou o valor de 1,5 graus como limite para o aumento máximo da temperatura" até ao final do século e que esse deve ser o objetivo a alcançar. "Quanto toca ao clima, temos de seguir o que diz a ciência porque estamos a chegar ao limite", reforça.

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