
Matos Fernandes. Eletricidade a partir de renováveis baixa fatura em 2022 e impulsiona mobilidade mais verde

Maioria da produção nacional vem da água e vento, um "seguro" contra escalada de preços nos mercados grossistas. Redução de emissões passa por mais mobilidade elétrica e a hidrogénio, diz mini
Energias renováveis são o "melhor seguro" contra escalada de preços, avisa o ministro do Ambiente e da Ação Climática, que quer fomentar novas tecnologias e exorta à mudança de hábitos.
O "preço da eletricidade vai baixar em 2022" graças à produção a partir de fontes renováveis, dando um contributo importante para uma mobilidade mais verde, revelou, esta quarta-feira, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, na cimeira do Portugal Mobi Summit. O governante admitiu que o anúncio possa causar "estranheza", face às recentes notícias sobre a "escalada de preços da eletricidade nos mercados grossistas europeus", mas tem uma explicação simples: a maioria da produção elétrica nacional é renovável. Produzir energia a partir de fontes renováveis é hoje o "melhor seguro" contra a alta dos preços na Europa: "É por temos muita energia produzia com a água e o vento e cada vez mais – mesmo que ainda seja pouca – a partir do solo, que conseguimos baixar o seu preço no próximo ano", disse. Em janeiro, os consumidores do mercado regulado terão uma significativa descida de preço, que segundo a ERSE, entidade reguladora do setor, será de 3,4%, precisou Matos Fernandes. Estas questões assumem grande importância porque "o futuro da mobilidade é elétrico", defendeu o ministro na sessão de abertura da cimeira Portugal Mobi Summit a decorrer em Cascais. "Os consumidores estão cada vez mais conscientes das virtualidades da mobilidade elétrica", referiu, justificando a afirmação com números. Este ano, a venda de veículos parcial ou totalmente movidos a energia elétrica aumentou, até agosto passado, 63% em comparação com o ano anterior. Em setembro, a quota de carros elétricos vendidos em Portugal foi de 25%. Comprar um carro elétrico, explicou Matos Fernandes, pode até ser mais caro para o consumidor, "mas compensa" porque a fonte de energia é mais barata - e também mais limpa - e a manutenção será menos dispendiosa do que a de um carro a combustão. Em 2021 foram já realizados mais de um milhão de carregamentos de veículos elétricos, que redundaram num consumo de mais de 13 mil megawatts de eletricidade nos mais de dois mil pontos de carregamentos públicos existentes no país. E isto corresponde a uma "redução da pegada ecológica dos transportes terrestres na ordem das 9,5 mil toneladas de dióxido de carbono".Transição energética
As alterações climáticas e os seus impactos implicam uma resposta "coletiva" de todos os países e Portugal assumiu o compromisso de atingir a neutralidade carbónica em 2050, apostando numa economia assente em recursos renováveis e endógenos que valorize o território. Segundo Matos Fernandes, o objetivo de Portugal colocar-se na vanguarda da transição energética materializa-se em metas ambiciosas para 2030, definidas no Plano Nacional Energia e Clima. Incluem reduzir em 40% as emissões de gases com efeito de estufa no setor dos transportes, alcançar uma quota de 47% de energias renováveis e conseguir uma integração da energia limpa no setor dos transportes de 20% até 2030 (em 2020 rondou os 10%). A descarbonização dos transportes assume, no horizonte 2030, grande importância, "porque é dos setores que mais contribui para as emissões nacionais, com cerca de um quarto", explicou Matos Fernsndes, certo de que a mobilidade, no futuro, será "sustentável, autónoma e partilhada". O Governo, adiantou, "encontra-se a atualizar a base legislativa necessária para fomentar a mobilidade elétrica," e conta com o "contributo de diferentes 'stakeholders' do mercado, que aos dias de hoje encontram barreiras e desafios à sua concretização e introdução de soluções inovadoras e novos modelos de negócio". Mas para além da aposta na tecnologia, é preciso também investir nos transportes coletivos. Para fomentar isso, o preço dos passes baixaram nas áreas metropolitanas e há políticas fiscais que incentivam a sua utilização, referiu.Novas tecnologias e mudança de hábitos
A aposta até 2030 passará pela mobilidade elétrica e biocombustíveis, acredita o governante. O setor da mobilidade e transportes "será dos que terá maior aposta tecnológica e, por isso, contará com a necessidade de investimento associada à substituição de veículos, quer de passageiros, quer de mercadorias", advertiu, explicando que o Fundo Ambiental continuará a apoiar medidas que contribuam para a transição energética no setor, tanto por pessoas singulares como coletivas e pela administração publica, que "tem o dever de liderar pelo exemplo". Mais de 700 autocarros de elevada performance ambiental foram adquiridos através do programa POSEUR. Recentemente foi "aberto novo aviso de 40 milhões de euros nos fundos disponíveis para territórios não metropolitanos, que permitirão a aquisição de mais 135 autocarros elétricos ou a hidrogénio, explicou Matos Fernandes, salientando que Portugal produz este tipo de veículos. O Plano de Recuperação e Resiliência tem mil milhões de euros que permitirão investimentos na mobilidade, nomeadamente no metropolitano - na linha vermelha (Lisboa), na light rail (Loures e Odivelas), no Porto (Boavista e Marechal Gomes da Costa) e em Gaia, onde há propostas de uma nova ponte sobre o rio Douro para metro, bicicletas e uso pedonal. A fechar, o ministro frisou que reduzir as emissões no setor dos transportes tem uma componente tecnológica, mas também depende muito da "mudança de hábitos". "Só vamos cumprir os objetivos da neutralidade carbónica com um esforço muito grande", que inclui tanto o Governo - a promover e financiar os investimentos certos -, como as empresas e também os cidadãos, que terão de mudar os comportamentos. "Sem esse esforço, não vamos conseguir", rematou.