
Não há uma solução universal para cortar a meta das zero emissões.

A tecnologia vai ter de se adaptar às diferentes necessidades dos utilizadores dos veículos elétricos. Esse é o ponto chave da mobilidade elétrica, defendem os oradores convidados da cimeira Portugal Mobi Summit.
A tecnologia vai ter de se adaptar às diferentes necessidades dos utilizadores dos veículos elétricos. Esse é o ponto chave da mobilidade elétrica, defendem os oradores convidados da cimeira Portugal Mobi Summit.
Olhemos para um passado que não é assim tão longínquo. Em 2017, perto de 97% dos alugueres dos veículos ligeiros da LeasePlan eram a diesel. Olhemos agora para o presente: 51% dos carros alugados são híbridos plug-in ou 100% elétricos. O exemplo que o diretor-geral da empresa de renting , António Oliveira Martins, trouxe esta manhã ao debate "Mobilidade Elétrica – Soluções focadas no consumidor", serviu unicamente para mostrar à audiência da cimeira Portugal Mobi Summit que "a transição energética está em marcha". Os recordes de venda de veículos elétricos são ultrapassados todos os meses, a cobertura da rede pública de carregamentos está presente em 25% dos municípios, mas em dezembro, irá cobrir 100% do território, conta o secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Pinheiro: "Com a descarbonização dos transportes públicos, das frotas comerciais ou dos veículos particulares em curso, podemos afirmar que a eletrificação está cada vez mais presente." Mas será suficiente para cumprir os objetivos do Pacto Ecológico da União Europeia? "Há um longo caminho ainda a fazer para atingir uma redução de 55% das emissões em 2030 e 100% em 2035", adverte Pedro Vinagre, administrador executivo da EDP Comercial. As metas são ambiciosas e não há uma solução universal para cortar a meta das zero emissões: "Temos de ser inteligentes o suficiente para ajustar as tecnologias às diferentes necessidades das pessoas." Colocar o utilizador no centro desta mudança será, como tal, a via mais célere e é por isso que a tecnologia não será igual em todo o lado. "Se atualmente entre 70% e 80% dos carregamentos são feitos em casa, a tendência será os postos públicos rápidos e ultrarrápidos ganharem maior preponderância à medida que aumenta a circulação dos veículos elétricos", defende o administrador da EDP Comercial, colocando também a ênfase na capacidade da tecnologia em resistir ao tempo e no digital para tornar as experiências mais intuitivas. Se as soluções que otimizam tempo e oferecem conveniência são elementos-chave da mobilidade digital, não esqueçamos também que a rede de carregamentos terá ainda de dar "passos gigantes" para conseguir "ir do Minho ao Algarve", relembra Eduardo Ramos, administrador executivo do Grupo Brisa . "Nesta viagem rumo à descarbonização teremos de considerar várias fontes de energia e ter sempre em mente que só através das parcerias poderemos chegar longe." O papel do Estado nesse processo, entretanto, já não é o de gestor da rede pública, mas sim de facilitador junto dos operadores, sublinha Eduardo Pinheiro, abrindo contudo uma exceção sempre que se torna necessário corrigir as desigualdades no Interior do país. "De resto, todos sabemos que ninguém vai fazer este caminho sozinho e que as parcerias são a única estrada para fazer a viagem da transição energética", remata o secretário de Estado da Mobilidade.