
Nuno Nunes. "Cirurgias à distância na medicina serão tão reais como eu estar aqui"

Na mobilidade, 5G promete gerir com maior eficiência os fluxos de tráfego, mas o seu impacto também será relevante na saúde ou nas indústrias, assegura o CSO da Altice na entrevista ao PMS.
Na mobilidade, 5G promete gerir com maior eficiência os fluxos de tráfego, mas o seu impacto também será relevante na saúde ou nas indústrias, assegura o CSO da Altice na entrevista ao PMS.
Com a chegada da rede 5G cada vez mais próxima, em Portugal, muito se tem debatido sobre os seus impactos na mobilidade, na produtividade, na segurança das empresas ou na sustentabilidade ambiental. Mas, o que, em concreto, podemos esperar? O futuro está aí à porta, mostrou-nos, esta semana, Nuno Nunes, chief sales officer B2B da Altice, na entrevista ao Portugal Mobi Summit, conduzida pela jornalista Carla Aguiar nos estúdios do Global Media Group. Foi uma autêntica viagem ao dia de amanhã, com as cidades a gerirem fluxos de trânsito de forma mais eficiente, a medicina a proporcionar diagnósticos e tratamentos mais eficazes ou as empresas e as indústrias a controlarem remotamente as suas operações. "A rede 5G, ao permitir emergir serviços em tempo real, coloca a tecnologia ao serviço das populações e das empresas para que possamos todos ganhar mais tempo e qualidade de vida", defende Nuno Nunes. O exemplo, talvez, mais imediato será a condução autónoma. Carros sem condutores só vão existir quando estiverem ligados a uma rede de quinta geração e essa é a oportunidade da qual se está à espera para diminuir a sinistralidade ou até mesmo inaugurar oportunidades de negócio e novas profissões. Mas o que já é uma realidade é a sua utilidade na gestão do tráfego urbano em algumas cidades europeias, onde o 5G coordena em tempo real o sistema global de semáforos, conta o chief sales officer B2B da Altice: "Tudo isso é possível através de sensores que identificam os locais com maior e menor fluxo de trânsito, desviando a circulação rodoviária para onde ela não provoca congestionamentos." E menos tempo na estrada significa menos emissões lançadas para a atmosfera e menos horas perdidas em deslocações. "Há estudos em cidades europeias a comprovar que a poupança de tempo pode chegar aos 25%", conta, sublinhado os ganhos não só na qualidade de vida, como nas estratégias das autarquias em se tornarem atrativas para novos residentes e investidores. A mobilidade urbana é uma das dimensões que mais benefícios poderá retirar das novas soluções tecnológicas, mas não é a única e o responsável da Altice aponta a saúde como uma das principais áreas em que o 5G poderá provocar grandes mudanças. Desde logo, no avanço da telemedicina com as intervenções cirúrgicas a poderem ser feitas à distância: "Isso será tão real como estar aqui e agora a ser entrevistado no Portugal Mobi Summit." E associado à rede da próxima geração está também o Big Data que, ao possibilitar "análises preditivas" irá assumir uma importância vital no dia-a-dia das unidades de saúde: "Estamos a falar de processamento de dados para acompanhar doentes com diagnósticos mais rápidos, diretos e certeiros." Os ganhos com o 5G na economia não se veem unicamente na gestão de políticas urbanas e de saúde. As vantagens serão também palpáveis para o setor empresarial e nas indústrias, assegura Nuno Nunes: "A grande mais-valia será a possibilidade de as fábricas poderem comandar todas as operações a partir de um único centro." É algo que já acontece – conta o especialista –, recordando como alguns dos portos chineses já manipulam remotamente todas as gruas e maquinaria pesada para carregar e descarregar mercadoria, reduzindo o risco de acidentes e aumentando os níveis de produtividade.O desafio da pandemia
O 5G é, por isso tudo, a grande esperança para muitos setores, mas será preciso não esquecer os avanços já feitos com as tecnologias digitais, aceleradas, entretanto, pela pandemia. "O caso mais paradigmático foi como a fibra ótica permitiu aos clientes e parceiros da Altice trabalhar de forma fixa em suas casas", recorda, salientando os efeitos do teletrabalho na mobilidade sustentável, que, durante os confinamentos, saiu a ganhar com menos trânsito nas estradas. Tudo isso só foi possível porque o investimento da operadora não começou agora, avisa o especialista: "Fomos desafiados pela pandemia, mas já estávamos preparados." Portugal, aliás, está atualmente tão bem equipado, no plano das infraestruturas, como os países mais desenvolvidos, defende Nuno Nunes: "O que nos falta não é a transformação digital, mas sim a transformação operacional na forma como se trabalha." O paradigma alterou-se, a forma de trabalhar também, mas, mais importante do que usar as tecnologias – adverte – é mudar a mentalidade no escritório para atingir patamares elevados de eficiência: "Nós temos as melhores infraestruturas, mas não os níveis mais altos de produtividade. O que tem de mudar – conclui o responsável da Altice – é a cultura de empresa. "Cabe-nos a nós, enquanto operadora de comunicações, sensibilizar os clientes para as soluções tecnológicas que tornam as empresas mais competitivas. Mas, no final, mais importante que a transformação digital, é a transformação operacional."