Os transportes informais também são um trunfo para a mobilidade sustentável

Benjamin de la Peña, CEO da Shared-Use Mobility Center, trouxe à Mobi Summit os meios de transporte que têm um forte impacto em países como Paquistão e Quénia, entre muitos outros.
Benjamin de la Peña, CEO da Shared-Use Mobility Center, trouxe à Mobi Summit os meios de transporte que têm um forte impacto em países como Paquistão e Quénia, entre muitos outros.
Na Portugal Mobi Summit foi tempo de "viajar" até outras realidades no que diz respeito a meios de transporte. Benjamin de la Peña, CEO da Shared-Use Mobility Center, demonstrou o que chamou de "transporte informal", apesar de serem vários os nomes que recebe em diferentes partes do mundo. Sul da Ásia e da América Central e também sul e mesmo no continente africano, do Paquistão ao Sri Lanka, passando por Nairobi, no Quénia, este tipo de mobilidade é uma fonte de emprego, faz parte do funcionamento de várias cidades, mas, muitas vezes, sem planeamento. "Transporte popular", é uma designação que De la Penã até prefere, sendo que no sul da Ásia é mais conhecido por "transporte intermediário". Mas o que é? O responsável deu exemplos de como em muitos países as minivans são utilizadas como alternativa aos habituais transportes públicos. Ou então, as moto-táxi, que só na Tanzânia, em cerca de uma década, foram responsáveis pela criação de 500 mil empregos, principalmente para jovens.Solução acessível
Benjamin de la Penã referiu que não é possível quantificar na maioria dos locais, mas que é possível que o "transporte informal" dê mais emprego do que os transportes públicos. Em Nairobi, 70% das pessoas optam por este tipo de mobilidade, segundo o CEO do Shared-Use Mobility Center. Esta organização procura alcançar uma forma equitativa, acessível e ambientalmente correta na mobilidade partilhada, através de uma conexão eficiente de vários meios de transporte, juntando os setores públicos e privados. Estudar este "transporte informal" é uma forma de encontrar diferentes soluções, com Benjamin de la Peña a salientar como muitas vezes estes meios são visto mais como um problema, do que como ativo importante na mobilidade. O responsável explicou que o surgimento e crescimento do transporte informal está ligado a diferentes fatores, como as políticas económicas e urbanas, a cultura local, as infraestruturas, a própria história do país e a disponibilidade e custo dos veículos.Riquexó elétrico
Com as cidades a crescerem mais rápido do que a capacidade de terem uma rede dos "formais" transportes públicos, De la Peña afirmou que o "informal" pode ser "um motor poderoso das economias". E numa altura em que as políticas ambientais ganham expressão, destacou como o Shared-Use Mobility Center quer mudar o facto de não se falar nesta forma de mobilidade. O responável acredita que, se os governos apostarem nos transportes informais, os serviços vão melhorar, assim como a oferta de veículos. Foi ainda mais longe, pois disse que o surgimento destes meios também pode ajudar na descarbonização, com veículos mais amigos do ambiente e com capacidade para transportar ainda mais pessoas. Na Índia até se juntou um meio que já não era poluente a uma inovação que permite agora maior conforto. Os famosos riquexós já contam com baterias, ajudando a quem pedala. Ver estes transportes informais em países como os Estados Unidos ou na Europa, poderá não ser fácil. Recordou que em Londres experimentou-se, sem sucesso, as moto-táxi. No entanto, em muitos países é uma realidade com forte impacto na forma como as pessoas se movimentam.