Pedalar nas ciclovias que nasceram com a pandemia

2021
27-04-2021

Lisboa, Cascais ou Porto são algumas das cidades que mudaram durante o confinamento. As ciclovias são a face mais visível dessa transformação que tornou a bicicleta mais acessível do que nunca.

Lisboa, Cascais, Porto, Coimbra ou Faro são algumas das cidades que mudaram durante o confinamento. As ciclovias são a face mais visível dessa transformação que tornou a bicicleta no transporte mais acessível do que nunca.

Desconfinar é ainda um verbo conjugado com muita cautela, mas estamos todos já a pensar no dia em que poderemos finalmente sair de casa e respirar sem máscara. As cidades, entretanto, mudaram nesses 13 meses passados em permanente estado de emergência. E a face mais visível dessa transformação são as ciclovias, que cresceram em praticamente todos os municípios do país. De norte a sul, do litoral ao interior, as bicicletas são, à semelhança de muitas cidades europeias, o transporte que mais velocidade ganhou durante a pandemia. Quando regressarmos à rua para trabalhar, ir às compras ou passear sem restrições, iremos certamente dar uma maior atenção aos modos de mobilidade mais leves e sustentáveis. E o motivo é simples - a rede de ciclovias e os parqueamentos estão mais acessíveis do que nunca. Lisboa tem atualmente 181,5 quilómetros de pistas cicláveis, liderando este movimento, mas muitas outras cidades também deram o salto. O Porto conta agora com 54 quilómetros de corredores exclusivos para bicicletas e Cascais está perto dos 90 km. Coimbra e Aveiro estão à beira de cortar a meta dos 40 km e Faro, por fim, está a pedalar para atingir os 25 quilómetros com as novas vias projetadas para os próximos anos. Lisboa quase duplicou a rede ao longo do último ano, estendendo as ciclovias em seis eixos prioritários da cidade. Com 105 quilómetros construídos antes da pandemia, os circuitos cicláveis aumentaram 76,5 km entre julho de 2020 e março do ano passado. O programa para incentivar a compra de bicicletas continua em marcha. Depois de cerca de 3500 candidaturas recebidas até ao final de 2020, autarquia lançou em abril a segunda fase de apoios. A medida estende-se agora também aos acessórios e reparações com as verbas a chegar aos 500 euros para quem comprou bicicletas desde o início deste ano. Ampliar o serviço partilhado é igualmente parte deste plano para incentivar a micromobilidade dentro da cidade. O Gira conta atualmente com 750 bicicletas e 80 estações, mas a EMEL - empresa municipal de mobilidade e estacionamento - quer alargar a rede com cerca de duas mil novas bicicletas através de um concurso público a lançar ainda este este ano. Paralelamente, serão abertos 13 parques estacionamentos para um total de 200 bicicletas em vários bairros da capital. O primeiro, aliás, já está a funcionar no Lumiar.

Entre Cascais e Vila Franca de Xira

No concelho vizinho de Cascais, a bicicleta também ganhou mais terreno com a nova ciclovia da Avenida da República acabada de inaugurar na segunda semana de abril. O investimento de cerca de 650 mil euros, 50% dos quais comparticipados pela União Europeia, permitiu estender um corredor de três quilómetros entre Estoril e Alcoitão. A autarquia promete arrancar também em breve com a construção de mais duas pistas: uma em Tires, com 3,3 quilómetros e outra também em Alcoitão com 2,7 quilómetros. Depois de concluídas, estas são as três obras que vão deixar a vila com um total próximo dos 90 quilómetros de rede ciclável. E, se não houver derrapagens no calendário da Câmara de Loures, em 2023, será possível pedalar ou caminhar de Cascais a Vila Franca de Xira sempre junto ao Tejo. O passadiço com 6,2 quilómetros de extensão vai estar assente em estacas sobre o sapal e terá um percurso sinuoso com vários pontos de interesse para incentivar as caminhadas e passeios demorados por entre paisagens elevadas ou rebaixadas da zona ribeirinha.

Do Douro ao Mondego

O Porto, nos últimos meses de pandemia, conquistou 35 quilómetros de ciclovias, 130 lugares para bicicletas em parques vigiados e 72 bicicletários com 521 lugares de aparcamento. A rede tem agora um total de 54 quilómetros a interligar praticamente toda a cidade com pistas cicláveis ou percursos pedonais a unir a zona oriental à ocidental. Há ainda 210 pontos de partilha marcados durante o período de confinamento e frotas com 2100 bicicletas e trotinetas elétricas geridas por três operadores - Hive, Bird e Circ. Em Coimbra está curso a instalação de cinco oficinas self-service - com equipamentos e ferramentas essenciais para pequenas reparações - e ainda de 83 postos de parqueamento de bicicletas. As novas infraestruturas vão ficar distribuídas ao longo dos 20 quilómetros da rede ciclável, atravessando os principais pontos turísticos, interface de transportes públicos, hospitais, escolas, equipamentos de saúde ou desportivos, centros de comércio e de serviços. A autarquia espera também avançar ainda este ano com a construção de mais 18 quilómetros de ciclovias ao longo do leito periférico direito do Mondego, ligando as povoações servidas pela Estrada Nacional 111. A cidade de Aveiro está, por outro lado, à beira de atingir os 40 quilómetros de ciclovias. Faltam somente 2,5 km agora adjudicados para a área urbana de São Jacinto. O investimento de cerca de 130 mil euros tem como finalidade interligar o cais do ferryboat, a estância balnear e a Reserva Natural de São Jacinto. Prevendo concluir a obra antes de 2023, a autarquia espera, com esta pista, interligar a ciclovia da Torreira, perspetivando no futuro a ligação ao Furadouro para conseguir, por fim, integrar toda a infraestrutura na rede de ciclovias da ria de Aveiro. Em Setúbal as pequenas distâncias foram o ponto de partida da operação Ciclop7. Ao todo estão previstas intervenções em 17 troços que se estendem por 27 quilómetros de percursos pedonais ou ciclovias entre as principais estações fluviais e rodoferroviárias. A operação está em curso, abrangendo uma área de três quilómetros entre o final da Avenida 5 de Outubro e o limite norte do município. Planeando a conclusão até ao final do ano, a obra inclui a construção de uma nova ciclovia em todo o trajeto, que passará a integrar a rede ciclável da cidade com ligações às avenidas da Europa e Antero de Quental e, futuramente, a um novo troço até ao concelho de Palmela.

A rota de Faro

Pedalando desde o Norte até ao Sul, chegamos, por fim, à ponta do país para terminar com as obras da nova ciclovia urbana de Faro, que ainda decorrem. No início do próximo ano, será possível percorrer a Avenida Calouste Gulbenkian de bicicleta, permitindo aos ciclistas circular num dos mais movimentados eixos da cidade até ao complexo desportivo, de onde parte uma outra ciclovia a terminar no Porto Comercial. Os trabalhos implicam uma reorganização profunda da zona circundante para afastar os ciclistas dos carros, mas esta não é a única pista a inaugurar em 2023. A ciclovia entre a Praia de Faro e o Aeroporto também está em execução e irá integrar a Ecovia do Algarve, infraestrutura da EuroVelo 1 – Rota da Costa Atlântica, que vai ligar o percurso europeu entre Noruega e Portugal. No total, são cerca de quatro quilómetros de pistas cicláveis que se vão juntar aos 10 quilómetros já construídos na cidade. Mas a empreitada só chegará ao fim quando estiveram terminados os 15 quilómetros de pistas cicláveis que a autarquia tem projetadas para os próximos anos.  

Conta-quilómetros: seis cidades ao detalhe

Lisboa - ganhou 76,5 km de ciclovias durante a pandemia, totalizando agora 181,5 quilómetros de pistas cicláveis. Porto - tem 54 quilómetros de corredores exclusivos para bicicletas, dos quais 35 km foram construídos ao longo dos meses de confinamento. Cascais - com a conclusão em setembro das pistas de Tires e de Alcoitão, a rede ciclável da vila vai crescer até aos 90 quilómetros. Coimbra -  o município quer avançar ainda este ano com a construção de 18 quilómetros de ciclovias, passando a totalizar 38 km de corredores para ciclistas. Aveiro - em 2023, com ciclovia para a área urbana de São Jacinto, a câmara espera atingir o marco dos 40 quilómetros de pistas cicláveis. Faro - Os quatro quilómetros de pistas em construção vão aumentar a rede até 14 quilómetros, mas a cidade espera chegar aos 30 quilómetros com as vias já projetadas.   Foto: Leonardo Negrão | Global Imagens

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