Otimizar rotas, usar as tecnologias e recorrer a parcerias com todos os agentes de mobilidade são as únicas formas de tornar as frotas de distribuição mais sustentáveis e competitivas, defendem os convidados de mais um debate da cimeira PMS.
Sabemos que a pandemia fez disparar as compras online. O que falta agora saber é como reduzir a sua pegada de carbono sem comprometer a entrega de bens e mercadorias no last mile. Este é o desafio que juntou no palco da Cimeira Portugal Mobi Summit Paulo Humanes, diretor de Mobilidade do CEiiA, Paulo Alexandre Silva, diretor de R&D dos CTT – Correios de Portugal, Manuel Pina, diretor-geral da Uber Portugal e Marco Oliveira Martins, diretor-geral da Saba.
Todos eles trouxeram uma mão cheia de ideias inovadoras para tornar as frotas de distribuição sustentáveis não só no plano ambiental, como no financeiro. E, por vezes, nem será preciso fazer muitas mudanças ou investimentos na infraestrutura, como demonstrou o diretor-geral da Uber. "Se antes tínhamos motoristas a transportar pessoas, hoje, esse mesmo motorista usa a sua proximidade ao local para fazer também entrega de mercadorias", explica Manuel Pina, especificando que esta pode ser uma solução para reduzir o número de quilómetros percorridos.
É um bom exemplo de como é possível repensar a mobilidade urbana, diz, por seu turno, Paulo Humanes: "A distribuição de bens e as deslocações das pessoas têm de ser feitas em articulação com o resto da mobilidade dentro das cidades", adverte o especialista do CEiiA, relembrando que a tecnologia tem um papel central para a eficiência dos serviços. Daí que a sustentabilidade das frotas de last mile passe, sobretudo, pela gestão de "todo o ecossistema da mobilidade", algo que só poderá acontecer com a integração de soluções inovadoras.
Para grandes empresas, como os CTT, o impacto da circulação das suas frotas é gigante. Os quatro mil veículos de distribuição a circular pelo país, percorrem todos os dias o equivalente a cinco voltas ao planeta Terra. O sistema de otimização das rotas torna-se, por isso, num instrumento indispensável que permite rotinizar os itinerários mais eficientes para cada um dos veículos.
Da mesma forma, a eletrificação dos transportes é, segundo Paulo Alexandre Silva, uma tarefa que começou há mais de década e que alcançará as zero emissões em 2030: "Mas não basta apenas ter veículos pequenos e com baixas emissões, é preciso igualmente desenvolver novos modelos de mobilidade junto com as autarquias para aliviar a pressão sobre o tráfego", explica o responsável dos CTT, ressalvando que têm em curso "varias" parcerias com as câmaras municipais.
Um bom modelo – propõe o diretor de Produção, Logística e Distribuição dos CTT – seria criar "zonas de distribuição dedicadas". E o que é que isso significa? Desde logo, dividir ou "retalhar" cada município em várias áreas entregues a um único operador de distribuição. Isso permitiria maximizar todas as rotas, reduzindo enormemente os quilómetros percorridos: "Juntando esse modelo com a eletrificação das frotas, a eficiência no last mile atingiria o pico", defende Paulo Alexandre Silva, revelando que o protótipo já começa a ser "testado" na Europa.
É pensando fora da caixa que surgem as melhores soluções. Mas, no caso concreto da Saba - empresa de soluções de mobilidade urbana e gestão de parques de estacionamento – foi a pensar para dentro dos parques de estacionamento que surgiu a ideia de aproveitar estes espaços para armazenar mercadorias quando não estão a ser usados. "A estratégia da Saba é pensar estes lugares como prestadores de serviços, incluindo lavagens, pequenas reparações ou carregamento de veículos elétricos", conta Marco Oliveira Martins.
Mas o que está a dar que falar é o projeto-piloto que a Saba está a desenvolver em Barcelona. São, neste momento, 40 os parques de estacionamento da capital da Catalunha que, de dia servem para estacionar os carros, e de madrugada, se convertem em armazéns. Logo pela manhã, toda a mercadoria que entrou no parque durante a noite sai em scooters, bicicletas ou trotinetes elétricas e são entregues aos clientes. "Queremos desenvolver este conceito também em Portugal", prometeu o diretor-geral da Saba.