
Vera Pinto Pereira: "Temos metade dos pontos de carregamento por veículo do que a média da UE"

A presidente da EDP Comercial garante que o paradigma está a mudar. Mas alerta que temos de acelerar o passo na eletrificação e na rede de carregamento, muito aquém do necessário.
Se dúvidas houvesse de que o paradigma da mobilidade está em acelerada mudança, o percurso da Tesla e da Uber são dois exemplos emblemáticos, lembrou a presidente executiva da EDP Comercial, na intervenção que fez hoje no arranque do Portugal Mobi Summit.
"Há dez anos a Tesla surgiu com uma tecnologia disruptiva que ameaçava destronar a indústria automóvel clássica. Hoje é o fabricante mais valioso do mundo", observou Vera pinto Pereira. Outro caso a que ninguém pode ficar indiferente é o da UBER que, "sem deter um único veículo para as suas operações foi cotada em bolsa em 2019 e está hoje avaliada em 100 mil milhões de dólares".
Aqueles dois exemplos ajudam a enquadrar a amplitude da mudança na mobilidade nas últimas décadas. Ao contrário do passado em que o carro era a solução óbvia para todos, hoje há um enorme leque de soluções combinadas de moblidade, desde as bicicletas elétricas às trotinetes e ao carsharing, sobretudo nas gerações mais novas, como a dos seus próprios filhos, enfatizou a gestora.
Ainda há, contudo, um longo caminho a percorrer para atingirmos a descarbonização a que estamos comprometidos, a nível europeu e mundial, tendo em conta que por cada 16 km percorridos os europeus ainda fazem 11 Km em veículo próprio, indicou.
Mas, "tal como o ministro do Ambiente anunciou há pouco, com as vendas de veículos elétricos a atingirem a quota de 25% em setembro, a revolução está em marcha", disse. Certo é que "não podemos pensar o futuro da mobilidade sem a eletrificação dos transportes", tendo em conta a emergência climática cujo cenário é aumentarmos a temperatura em mais 1,5 graus do que deveriamos até 2030.
A presidente da EDP identificou o pacote da União Europeia "Fit for 55", como uma oportunidade ao nível da regulação. Este prevê que se reduzam as emissões em 55% até 2030 e que a Europa se torne o primeiro continente neutro em carbono em 2050.
E embora Portugal seja um dos melhores casos de sucesso na adesão aos veículos elétricos, Vera Pinto Pereira diz que não devemos ficar satisfeitos, mas antes olhar para o exemplo da Noruega, que atingiu em 2020 uma quota de 75% na mobilidade elétrica e espera chegar aos 90% muito em breve.
Ao nível da tecnologia para suportar a rede de mobilidade elétrica, a presidente da EDP lembrou, no âmbito das novas regras, que os Estados deverão ter nos próximos 4 anos, pelo menos, um ponto de carregamento a cada 60 km, o que significa 3,5 milhões de pontos até 2030 e mais de 16 milhões até 2050.
Nesta matéria, e apesar da grande evolução nos últimos anos, "nós vamos ter de acelerar o passo", disse. Em Portugal temos uma média de 22 veículos por ponto de carregamento, quando a média da União Europeia é é de apenas 11 veículos. Ou seja, metade.
Falando pela EDP, a gestora referiu que a empresa investiu mais de 20 mil milhões de euros em energias renováveis e até 2025 investirá mais 25 mil milhões de investimento, prevendo duplicar a capacidade de energia solar e eólica até 2025. E ser 100% verde no fim da década.
Entretanto vai ampliando a rede de carregamento, que já supera os mil pontos, e multiplicando as soluções para os clientes em moradias, condomínios e empresas, estando presente em 90 municípios do litoral, interior, e ilhas.