BRISA, Lisboa e Cascais alinhadas no circuito para transportes públicos na A5

2022
11-07-2022

A Brisa quer investir num circuito específico para transportes públicos na auto-estrada Lisboa-Cascais (A5). No debate Portugal Mobi Summit, o CEO da empresa, António Pires de Lima, voltou a lançar o desafio, que já foi aceite pelos autarcas de Lisboa e Cascais. Falta só negociar com o Executivo

António Pires de Lima, CEO da Brisa, e os presidentes das Câmaras de Lisboa e de Cascais, Carlos Moedas e Carlos Carreiras, respetivamente, já falavam do projeto há muito mas no debate do Portugal Mobi Summit, no Museu da Eletricidade, em Lisboa, concordaram em público com um circuito próprio para transportes públicos na auto-estrada Lisboa-Cascais (A5) que vai facilitar em muito a mobilidade numa das vias mais concorridas da Grande Lisboa. Ficará só a faltar a renegociação do contrato de concessão entre a maior operadora de infraestruturas de transporte em Portugal e o Executivo.

  “ A Brisa está disponível para, ao serviço da Área Metropolitana de Lisboa (AML), poder estudar e iniciar o investimento na nossa A5 (auto-estrada Lisboa-Cascais), que é a nossa autoestrada com maior dificuldade de mobilidade, para podermos ter um circuito específico que permita facilitar o transporte público desde o concelho de Cascais até Lisboa, entroncando depois ou na via Norte/Sul ou na A2. A Brisa já deu nota dessa sua disponibilidade ao Governo atual e ao Executivo anterior e achamos que esse investimento iria ajudar muito a circulação entre Cascais e Lisboa”, frisou António Pires de Lima no debate que reuniu todos os parceiros do Portugal Mobi Summit (EDP Comercial, autarquias de Lisboa e Cascais, Brisa, Lidl e Fidelidade).

Pires de Lima acrescentou que a Brisa põe também ao dispor das câmaras da AML, Lisboa, Cascais, Oeiras e outras possíveis interessadas, o sistema Via Verde para facilitar a interoperabilidade das diferentes mobilidades de serviço público. “Devia ser possível com uma só aplicação, como a Via Verde, qualquer pessoa que se deslocasse nos concelhos de Lisboa, Cascais e Oeiras fazer todos os pagamentos e acessos a qualquer transporte público com apenas um toque digital. É um desafio que já deixei em privado ao Carlos Moedas e ao Carlos Carreiras”, concluiu.

Mas o CEO da Brisa não ficou sem resposta. Carlos Moedas admitiu que o circuito de transportes públicos na A5 “é uma ideia de que já se fala há muito tempo e temos agora o alinhamento de interesses para o fazer”. O presidente da Câmara de Lisboa destacou que “é preciso pensar na mobilidade na AML onde são feitas mais de 5 milhões de deslocações por dia. Não podemos olhar apenas para cada um dos nossos municípios”.

“Temos de olhar para Cascais e para um sistema em que os transportes públicos são gratuitos para todos os residentes. Cada um de nós irá a nossa velocidade, Lisboa propõe os transportes gratuitos para os mais novos e os mais velhos, Cascais como se sabe foi pioneiro. Mas se as pessoas tiverem um transbordo já não usam o transporte publico, querem ir de A para B, e querem uma intermodalidade, alguém que vai numa bicicleta GIRA quer no mesmo passe poder usar o autocarro”, uma medida que ainda acontecerá este ano (a inclusão das bicicletas GIRA no passe mensal Navegante).

Carlos Moedas também destacou que não se pode impor às pessoas o uso dos transportes públicos quando estes ainda apresentam problemas sérios em Portugal.

“Em termos de oferta, as pessoas estão à espera do autocarro tanto tempo e não podem 

Rute Coelho

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