
EDP baixou em 15% a tarifa para carregar o carro

Poupança com veículos elétricos pode ir de 5 a 10 euros por 100 km. Em sentido inverso ao mercado dos combustíveis, carregar o carro ficou mais barato este mês, anunciou a CEO da EDP Comercial
Quem carregar o carro elétrico este mês nos pontos fornecidos pela EDP vai sentir
que, em sentido inverso ao que tem acontecido com os veículos a combustão, os
preços baixaram. E significativamente. “Revimos para julho as tarifas de carregamento numa redução de 15%”, adiantou há dias a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, na sessão do Portugal Mobi Summit.
A executiva da empresa que mais tem investido em mobilidade elétrica em Portugal apontou as vantagens comparativas, apenas em termos de custos, entre os dois
modelos de mobilidade, para concluir que as poupanças são significativas quando se opta por um veículo elétrico. “Carregarmos 100 km num veículo elétrico pode
custar cerca de dois euros em casa ou até sete euros numa rede de carregamento
público, mas, em contrapartida, pode custar 10 a 12 euros se estivermos a falar num veículo a combustível”, exemplificou.
De alguma maneira, os consumidores parecem ter já feito as contas e percebido que o custo inicial de aquisição começa a ser compensado pela redução dos custos nos consumos, sobretudo em cenário de crise energética. Isso mesmo se nota na expansão acelerada dos veículos elétricos em Portugal. “Estamos entre os 10 países europeus com maior penetração de veículos elétricos híbridos a nível de novos veículos vendidos. Recentemente, os elétricos ultrapassaram os híbridos nesta parcela, nestes 22%, o que é um bom sinal”, assinalou ainda Vera Pinto Pereira.
Para esse resultado tem contribuído a expansão assinalável, nos últimos dois anos em particular, da rede pública de carregamento a nível nacional. “Existe hoje uma rede de mais de 4000 pontos de carregamento a nível nacional, o que dá uma cobertura muito expressiva do território, considerada boa a nível europeu”, destacou a CEO. Em linha com este desenvolvimento, também “o número de utilizadores desta rede aumentou mais de 60% nos últimos meses”, assinalou Vera Pinto Pereira. Já a EDP, em concreto, “cresceu em 2021 mais do que nunca em termos de rede de carregamento público”.
“A EDP tem mais de 1200 pontos de carregamento público. Os 48 nas 17 áreas de serviço das autoestradas da Brisa já estão todos a funcionar. E temos feito trabalho ativo para expandir a rede”.
Ao nível da Península Ibérica, a empresa pretende chegar até ao fim do ano com cerca de três mil locais de carregamento ativos. Para isso tem intensificado as parcerias com empresas espanholas, a última das quais foi a cadeia de supermercados Ahorramás. No âmbito dessa parceria a EDP vai instalar 450 pontos nos parques de estacionamento dos estabelecimentos comerciais em Espanha.
A executiva lamentou o atraso na entrada em funcionamento de vários pontos de
carregamento em autoestradas que se devem a atrasos das autoridades competentes no licenciamento dos equipamentos. “É um processo burocrático e demorado que tem de ser melhorado”, disse à margem da sessão do Portugal Mobi Summit. Embora o essencial do investimento em mobilidade elétrica esteja a ser assegurado por operadores privados, os governos e as entidades públicas como a Mobi.e continuam a ter um papel importante, sobretudo supletivo para investir em regiões de menor densidade populacional, menos apetecíveis para os operadores privados.
Em Espanha, por exemplo, foi publicado um novo decreto-lei que obriga a ter
um ponto de carregamento por cada 40 lugares de estacionamento em qualquer
local público. “Em Espanha 10 a 15% do financiamento do carregamento vem porvias públicas”, indicou Vera Pinto Pereira.
Carla Aguiar