
Estocolmo: andar de metro é uma viagem pela arte

Apoio às artes e à cultura é um hábito na Suécia. Estações de metro exibem obras de arte desde a década de 50, uma conquista dos movimentos artísticos ainda antes da segunda guerra mundial.
Uma enorme galeria de arte subterrânea preenche as estações do metro de Estocolmo, na Suécia, e faz parte do dia-a-dia da população que valoriza o apoio às artes que existe no país desde 1937, data em que foi criado o Conselho Nacional das Artes para dar força ao trabalho dos artistas mais afetados pela crise. “A arte é uma área muito importante na Suécia há quase cem anos”, explica Johanna Atterby, coordenadora de mercado na Visit Stockholm, que participou via zoom no segundo dia da cimeira Mobi Summit 2022.
Quando foi constituído, o Conselho Nacional das Artes previa que 1% do custo total de todos os projetos de obras na cidade fosse aplicado no apoio aos artistas e à arte. “Tratava-se de um apoio público que, mais tarde, foi ligeiramente alterado, mas abriu as portas a um conjunto de projetos artísticos na cidade”, diz Johanna Atterby. O pressuposto desta iniciativa, explica, é que toda a gente tem direito a ver obras de arte e a ter espaços bonitos na sua cidade.
Com este hábito já enraizado, quando, na década de 40, foi aberto o concurso para a construção da rede de metro em Estocolmo, a inclusão da arte estava prevista. Contudo, refere Johanna Atterby, “os políticos não estavam, nessa altura, muito interessados, mas os movimentos artísticos não cruzaram os braços, e pressionaram”. Uma década mais tarde, com novo concurso para a construção de uma estação, foi aberto um concurso para a vertente artística que contou com 156 candidaturas anónimas. Desde então, refere a responsável, “a arte faz parte de todas as estações de metro na cidade e é usada, muitas vezes, para promover movimentos pela paz ou pelos direitos das mulheres”, reforça.
O exemplo sueco pode, na opinião de Johanna Atterby, ser replicado noutras cidades do mundo e ser um incentivo à utilização deste transporte público muito sustentável e, em simultâneo, uma forma de promoção das artes e dos artistas de cada país. Para os portugueses deixa, em direto, o convite para uma visita à capital sueca, com a promessa de uma viagem por uma das maiores galerias de arte subterrâneas do mundo.