
Mobilidade nas cidades tem de ser mais justa e acessível

Nidhi Gulati, da Infosys Limited, defende ser preciso pensar os transportes como um sistema integrado que responsa às necessidades de cada cidadão. “Não podemos falar de mobilidade sem equidade”, afirma.
De regresso ao palco do Portugal Mobi Summit dois anos depois, Nidhi Gulati, consultora para a sustentabilidade da Infosys Limited, apontou o caminho para o futuro das deslocações nas cidades: mais equidade, menos propriedade e melhor acesso. “Os transportes estão a avançar para um futuro mais justo, vão tornar-se uma forma de aumentar a qualidade de vida dos cidadãos”, defendeu esta tarde.
Para que esse cenário se torne realidade, pede que a acessibilidade e a segurança dos utilizadores sejam pensadas no desenho das redes de transporte, mas também nos seus diferentes meios. Um exemplo que mostra a importância de fazê-lo são os acidentes rodoviários. “Quando as mulheres sofrem acidentes são, muitas vezes, mais graves porque os sistemas de segurança dos automóveis não estão concebidos para proteger o corpo feminino”, aponta.
O mesmo acontece em relação à segurança dos peões. “Quando falamos de etnias, há pessoas que podem sofrer mais do que outras em acidentes”, diz. E suporta a afirmação com dados que evidenciam, por exemplo, que uma mulher asiática tem menor probabilidade de sair gravemente ferida de um acidente quando comparada com uma mulher afroamericana.
Contudo, a equidade também é uma questão de acesso aos diferentes modos de transporte. Voltando a exemplos práticos, Nidhi Gulati diz que entre as 303 estações de metropolitano em Paris, apenas nove são verdadeiramente acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida que utilizem cadeira de rodas.
Papel da tecnologia
Para a especialista, a tecnologia tem um papel essencial para a revolução na mobilidade. Desde logo através da criação de sistemas integrados de transporte que permitam a um utilizador, através de uma única aplicação móvel, ser informado, passo a passo, sobre quais os tipos de transporte precisa de usar para chegar ao destino. Por outro lado, esse sistema integrado deve permitir a compra de “um bilhete único para que as pessoas não tenham de adquirir quatro bilhetes para quatro tipos de transporte”, exemplifica. “Em Nova Iorque o que fizeram foi promover a utilização de bilhetes semanais com viagens ilimitadas”, afirma.
Este tipo de sistemas não deve depender apenas dos meios tradicionais, como comboios, metros ou autocarros, mas deve incluir também bicicletas, trotinetes e outros modos de mobilidade suave. “Temos de pensar mais na partilha de meios em vez de sermos proprietários. Não precisamos realmente de ser donos de um carro ou de uma bicicleta”, considera. Nidhi Gulati acredita que, cada vez mais, as cidades em todo o mundo devem olhar para os exemplos de Barcelona, que criou um mega quarteirão com todos os serviços necessários à população e onde os carros não são bem-vindos, ou de Paris, que implementou o conceito da cidade de 15 minutos. “É uma tendência que veio para ficar”, reforça.