
Segurança rodoviária com novos desafios... e os antigos

No debate sobre a segurança num novo sistema de mobilidade, ANSR, Brisa e Fidelidade falaram sobre como os novos meios de transporte trazem diferentes desafios, mas como é preciso continuar atentos aos antigos, rumo ao objetivo: zero mortes na estrada
Se por um lado a mobilidade suave trouxe novos desafios para a segurança rodoviária, continua-se ter problemas antigos que contribuem para os números da sinistralidade em Portugal. Os números têm vindo a baixar, mas o objetivo final mantém-se o mesmo: ser zero. A segurança rodoviária esteve no centro do debate na Mobi Summit intitulado "A segurança num novo sistema de mobilidade".
Rui Soares Ribeiro, Presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), considera que tal não é utópico, mas há que fazer bem as coisas para lá se chegar, entre as infraestruturas, automação dos veículos e a própria mentalidade das pessoas.
Referiu como estudos revelam como os condutores sabem quais são os limites. No entanto, salientou como 60% das infrações são o excesso de velocidade, ao que se junta a questão do álcool, uso do telemóvel enquanto se conduz e os sistema de retenção. Para que se possa agir mais perante estes dois últimos tipos de infração, Rui Soares Ribeiro salientou que há que esperar por um sistema de ferramentas, como câmaras de segurança, que permitam detetá-las.
Deixou ainda um apelo perante o comportamento agressivo/competitivo dos condutores. "Se calhar tem a ver com a educação", disse, considerando que há que ter "capacidade para se ser tolerante. Não vale a pena ser agressivo".
Considerando que se pode estar perante questões geracionais, ainda não não se pode pensar apenas em educar os mais novos a pensar no futuro, pois "tem de haver compromisso político", com a segurança rodoviária a ter de ser uma prioridade.
Manuel Melo Ramos, COO da Brisa Autoestradas de Portugal, também referiu a educação como um dos pontos essenciais, tal como o "engineering" e o "enforcement", utilizando as expressões em inglês. No de "education" (educação), o responsável fala nas campanhas de sensibilização da Brisa juntos dos mais novos, mas também nas de colaboração com a ANSR, a nível nacional.
Quanto ao "engineering", referiu ser fundamental o investimento nas infraestruturas e na manutenção planeada destas, exemplificando como a Brisa procura ter uma deteção imediata de obstáculos e avisar quem circula nas autoestradas.
A manutenção foi um ponto que sublinhou na sua intervenção. "Fazemos um investimento considerável todos os anos nas infraestruturas", afirmou, realçando como as autoestradas são as vias mais seguras.
Também referiu que a empresa está empenhada em fazer a sua parte para que chegar ao número de zero mortes seja alcançado: "Não podemos deixar de trabalhar." O objetivo até 2030 é reduzir a sinistralidade em 50%.
Quando se fala de micromobilidade, já não afeta as autoestradas. Perante a crescente evolução de meios de transportes, como as trotinetes, Rui Soares Ribeiro, salientou como é preciso conhecer melhor o que está a provocar mais acidentes, para assim se poder preparar campanhas de sensibilização quanto à utilização destes veículos.
Considera que não são necessárias mais leis, já que o código da estrada tem claro as regras para os velocípedes, que inclui as trotinetes. No entanto, referiu como as tecnologias podem resolver alguns problemas, na sua opinião. Nomeadamente no estacionamento desordenado, assim como quem anda nos passeios, ou em sentido contrário, por exemplo.
Ou seja, realçou que há que trabalhar para que quem explora os contratos de concessão respeitem estas exigências e, claro, educar as pessoas para uma utilização que respeite o código da estrada. Só se tudo falhar, então sim, aplicar o "enforcement", isto é, recorrer às multas.
Com este novo paradigma na forma de deslocação, as seguradores também têm novos desafios pela frente. Marcelo Sousa, Diretor de Business Performance & Intelligence e de Parcerias & Ecossistemas Fidelidade, salientou que ao alugar uma trotinete, tal inclui um seguro que diz ser "insípido". É de responsabilidade civil e cobre danos que podem ser causados. Um seguro abrangente, significaria preços mais caros no aluguer.
"A proposta de seguro tem de ser mais robusta", referiu, ainda mais quando se está perante uma forma de mobilidade cada vez mais frequente e novos desafios no que diz respeito à segurança nos municípios que apostem nestes meios.
Relativamente à segurança rodoviária para quem conduz automóveis, a Fidelidade tem uma aplicação, Drive, que quer premiar bons comportamentos e assim contribuir para o objetivo de diminuir a sinistralidade.
Conhecendo bem a realidade do parque automóvel, Marcelo Sousa alertou que se está perante uma média de 13,5 anos no carro pessoal e que as atuais dificuldades, tanto na entrega de novos veículos, como na perda de poder de compra, irá agravar ainda mais a tendência de envelhecimento, prejudicando a segurança na estrada.
Elisabete Silva