
Sustentabilidade e ação social de mãos dadas

Sustentabilidade, micromobilidade e transformação social podem andar de mãos dadas e ser rentáveis. Esta é uma crença partilhada por algumas das startups presentes esta tarde no Startup Lisboa Pitch Green da Portugal Mobi Summit.
Wyze Mobility, Trash4Goods, Hunterboards e Importrust são quatro starups que têm em comum a Startup Lisboa e a possibilidade de intervir socialmente enquanto realizam negócio.
Pode a micromobilidade promover o combate à pobreza e exclusão social? Tiago Silva Pereira, fundador da Wyze Mobility, acredita que sim. A startup de impacto criada há três anos combina tecnologia com veículos de micromobilidade e tem como traço distintivo a promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Com o objetivo de fazer a diferença em cidades onde ainda não existam operadores de mobilidade partilhada, e usando as scooters elétricas como suporte de publicidade, a Wyze Mobility propõe-se contribuir para a redução de emissões, combater a poluição sonora e atmosférica e ainda lutar contra a exclusão social, explicou Tiago Silva Pereira. "O nosso objetivo é colocarmos os veículos de mobilidade partilhada ao serviço do combate à pobreza e exclusão social, colocando o tempo de ociosidade, que pode ultrapassar os 70%, ao serviço dessas causas em esteita parceria com sponsors que comprem publicidade nos nossos veículos", precisou o fundador da Wyze Mobility.
A Trash4goods é outro exemplo de como um negócio pode ter uma vertente social sem perder rentabilidade. Neste caso, Afonso Ravasco e os restantes fundadores deste projeto incubado na Startup Lisboa, apostam na literacia no que toca à reciclagem usando o gaming como meio de estabelecer e fidelizar a relação com o consumidor. "Os portugueses não são bons a reciclar", afirmou o CEO da Trash4Goods, lembrando que 50% dos resíduos colocados nos ecopontos amarelos estão contaminados, um fator que não contribui para descida das taxas de reciclagem como desvaloriza os resíduos. Dirigido a uma faixa de clientes jovem, este projeto passa por uma solução de gaming associada a uma app que recompensa o utilizador por reciclar. "Já existiam projetos semelhantes. A diferença da Trash4Goods está na segunda vertente do projeto, os pontos de recolha, onde os resíduos entregues são verificados por um operador", explicou Afonso Ravasco. Com o sistema de depósito das reverse vending machines (RVM) a chegar a Portugal no próximo ano, abre-se, na perspetiva de Afonso Ravasco, uma nova oportunidade para a startup, que acredita na possibilidade de integrar novos pontos de recolha nas RVM.
António Eça e os restantes membros da Importrust apostaram na poupança, na maior oferta e na segurança enquanto elementos distintivos da Importrust, uma empresa de importação de automóveis usados 100% digital. Fundada em 2018 a empresa passou de 30 carros transportados em 2020 para os 320 que espera colocar em Portugal este ano. O processo é simples: o cliente seleciona o carro pretendido, e a Importrust trata do transporte para Portugal e legalização do veículo. "Há acesso a um mercado 30 vezes maior do que o português e há total segurança já que verificamos o historial do veículo e as garantias europeias são válidas em Portugal", explica António Eça, que refere ainda que 50% dos carros transacionados são 100% ou híbridos plug in. Atualmente com seis elementos a empresa quer lançar o primeiro fundo de investimento automóvel no final do ano e avançar para a internacionalização em 2024.
Já a Hunterboards tem por missão transformar o skate como uma hipótese séria de micromobilidade, destinada a skaters, surfistas e esquiadores que, até aqui "não tinham uma opção de veículo de que gostassem", como referiu Pedro Andrade um dos fundadores da startup. "Até aqui os skates que existem são para brincar: são pequenos e demasiado pesados, difíceis de levar debaixo do braço quando não estão a ser utilizados", explicou. Em resposta a Hunterboards criou um skate feito integralmente em alumínio, com bateria amovível e que no futuro poderá ser equipado com GPS. Totalmente fabricado em Portugal e criado há dois anos, é atualmente vendido em 21 países, representando os Estados Unidos 70% do volume de negócios.
O desafio atual, assume, é escalar o negócio. Ao mesmo tempo, como forma de ultrapassar o aumento do custo do shipping, foi feito o redirecionamento para o mercado europeu e para o setor do retalho, que vai permitir uma melhor experiência dos dois principais fatores de diferenciação do produto: leveza e conforto.