Transportes públicos para todos, modernos e sempre a procurar melhorar a oferta

2022
29-09-2022

Garantir que as pessoas continuem cada vez mais a optar pelos transportes públicos é o objetivo da Metro do Porto, Carris e Transportes Metropolitanos de Lisboa.

Como tornar os transportes públicos seguros e sexys? Foi a questão que serviu de mote para se falar de como em Lisboa e Porto se enfrenta o melhoramento da oferta e se convence cada vez mais pessoas a optarem por estes meios e não apenas para ir trabalhar, ou regressar a casa.

Tiago Braga, Presidente da Metro do Porto, salientou como nas duas décadas de existência desta estrutura, a população recebeu-a com um sentido de pertença, de algo importante para a comunidade. Garantiu que não há uma estratificação social dos utilizadores, pois dos mais novos aos mais velhos, quem anda de metro na cidade é de todas as idades. A única diferença está na utilização durante o dia.

Quanto aos desafios sempre presentas na procura por uma constante melhor oferta: "Queremos uma rede mais circular, para não ser apenas casa-trabalho/trabalho-casa." Destacou que a Metro do Porto oferece um material moderno segundo e com grande conetividade. Porém, quando os autocarros são antigos, não há uma sequência na qualidade de oferta a quem se desloca em vários meios de transporte.

E numa altura em que a empresa aposta no Metro 3.0, Tiago Braga realçou que é necessário "ir à luta pela consumidor", mostrando a qualidade da oferta e de como se está continuamente a tentar melhorá-la. Avisa que o processo de expansão nunca poderá estar terminado numa cidade em constante transformação. Contudo, os atuais projetos de expansão já em marcha, como a expansão de linhas, estão previstos concluir em 2026, num investimento de 30 milhões de euros.

Deixou ainda um número alarmante: 280 mil milhões de euros é o que custa o congestionamento no espaço europeu. Ou seja, como explicou Tiago Braga, a média é de 70 minutos por dia no trânsito diariamente, o que se traduz em mais de um mês anualmente. Defende por isso, que haja uma atitude mais proativa para com o consumidor e que se continue a investir na rede.

Em Lisboa, Maria Albuquerque, Vice-Presidente da Carris, falou em três pontos chaves: acessibilidade, segurança e competitividade.

Quanto à acessibilidade exemplificou com a alteração nos preços, mais baratos, e na simplificação no processo dos bilhetes e passes. Recentemente, a iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa em tornar gratuitos os transportes para idosos e jovens, resultou numa adesão de 42 mil pessoas, 14 mil entre os mais novos.

Pafa Maria Albuquerque é uma oportunidade para os operadores mostrar o que valem e continuar a atrair cada vez mais jovens. Assim poder-se-á começar a caminhar para uma redução de automóveis, que continua a ser o meio que a Carris não consegue competir. Recordou que o congestionamento é já maior do que o nível pré-pandémico.

Garante que a Carris está a modernizar a sua frota, referindo como a redução de congestionamento seria importante para responder a uma exigência de quem procura os transportes públicos: a rapidez. Menos carro permitiria que os veículos da Carris também tivessem mais espaço para se deslocarem.

Relativamente à segurança, recordou como os transportes públicos são a forma mais segura de nos movimentarmos na cidade, com uma percentagem de acidentes muito baixa.

Rui Lopo, Administrador dos Transportes Metropolitanos de Lisboa, alertou para um problema: a falta de mão de obra. Nomeadamente a falta de motoristas. Esta é uma razão que leva a que a meta de aumentar a oferta em 40% ainda não esteja cumprida.

Apesar disso, considera essencial que as pessoas percebam que os transportes funcionam e que devem ser uma escolha na mobilidade.

Maria Albuquerque referiu que no caso da Carris até tem sido possível contratar. O problema está em fixar. Mesmo com a possibilidade de fazer carreira na empresa, "a mudança de paradigma" na forma de pensar nos jovens faz com que não pensem a longo prazo, mas no imediato. Isto é, acabam por sair para outras profissões.

Rui Lopo abordou também como gostaria que daqui a um ano, na próxima Mobi Summit, se falasse de um melhoramento na questão dos bilhetes, para mais soluções idênticas ao Navegante.

Considera que não é fácil haver um sistema com vários operadores, mas é um caminho essencial a percorrer. Também refere que é preciso criar condições para que haja transportes públicos a qualquer hora do dia, garantindo ainda que a oferta aumente onde é a densidade populacional é maior. E claro, encontrar soluções para a mão de obra.

Elisabete Silva

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