Vera Pinto Pereira: “A transição energética é uma arma que está ao alcance de todos”

2022
28-09-2022

A presidente da EDP Comercial falou na importância da transição energética como forma de combater as alterações climáticas, referindo que aspetos como a mobilidade elétrica têm dado grandes saltos quantitativos e qualitativos. Mas que ainda há um longo caminho pela frente.

Vera Pinto Pereira, presidente da EDP Comercial, trouxe a este primeiro dia da edição deste ano do Portugal Mobi Summit o tema “Transição Energética: a força capaz de inspirar gerações” tendo como pano de fundo uma mensagem de positividade e de esperança, apesar “do contexto de enorme adversidade política, social e económica”.

“A transição energética será a meu ver, e na opinião da EDP, talvez a arma mais importante para nós enfrentarmos aquilo que temos pela frente. E mais, é uma arma que está ao alcance de todos e é uma arma que entendemos que é possível e, estando ao alcance de todos”, referiu a presidente da EDP Comercial.

E de que forma que a transição energética é uma uma solução? Para Vera Pinto Pereira a transição energética vem reforçar o tema da independência energética, um tema muito relevante, em especial nos temos que a Europa vive neste momento. E reforça também a capacidade das famílias e das empresas de protegerem-se daquilo que é o aumento e a volatilidade de preços que tem afetado brutalmente todos os mercados, em particular todos os mercados a nível europeu. “Finalmente, a transição energética contribui para algo já muito falado hoje aqui que é todo o tema da urgência da ação climática”, disse a presidente da EDP Comercial.

Como exemplos positivos, Vera Pinto Pereira referiu que em 2020, o primeiro ano da pandemia, o ritmo de adição de renováveis aumentou à taxa mais rápida das últimas décadas. E que já este ano é expectável que ultrapassemos a marca dos 300 GW por ano, isto com a energia solar já a contribuir para 60% das novas adições de capacidade renovável em todo o mundo.

Concretamente sobre Portugal, sublinhou que o nosso país vai conseguir atingir já em 2026 as metas de energia renovável que estavam definidas para apenas o final desta década.

A mobilidade elétrica também não foi esquecida, e os seus avanços tecnológicos, com a referência de que o custo médio das baterias caiu mais de 80%, o que permite uma paridade entre os veículos elétricos e os veículos a combustão. “Se há uns anos falávamos de uma autonomia na generalidade dos modelos vendidos de cerca de 150 quilómetros, hoje em dia nenhuma marca automóvel se propõe lançar um novo veículo que tenha uma autonomia inferior a 300 quilómetros. Portanto, tem sido feito um caminho extraordinário”, defendeu.

No que diz respeito à rede de carregamento de elétricos, Vera Pinto Pereira lembrou a EDP lançou recentemente a app EDP Charge, que permite gerir os diferentes momentos de carregamento em casa, no trabalho, no carregamento público, de forma totalmente integrada, sublinhando que “esta digitalização tem que ser uma peça fundamental em tudo aquilo que se venha a fazer a nível de experiência do cliente na mobilidade, e em toda a dimensão da transição energética”.

Outro tema trazido à discussão foi o da geração solar descentralizada. “Portugal, mais uma vez nesta matéria, está na linha da frente e está a dar um ótimo exemplo. Só nós na EDP, no primeiro semestre, trabalhámos com 20 mil famílias que se uniram às quase 90 mil que já estavam a gerar a sua própria energia solar para abastecer as suas casas e para carregar os seus veículos elétricos, porque muitos deles são também clientes de veículos elétricos”, afirmou a presidente da EDP Comercial.

Voltando à questão da mobilidade, Vera Pinto Pereira referiu que é preciso fazer regressar a níveis pré-pandémicos a mobilidade partilhada e coletiva, apesar de se prever que venha a duplicar até o final desta década. “Temos um desafio de reeducar e alterar alguns dos nossos hábitos que foram alterados dramaticamente durante este período pandémico, mas a mobilidade partilhada e coletiva vai ter que fazer este caminho. E os carros elétricos mais do que duplicaram nos últimos meses, hoje estamos em mais de seis milhões de veículos elétricos espalhados por todo o mundo”.

Ainda em termos de números, a presidente da EDP Comercial revelou que na EDP nunca tinham sido percorridos tantos quilómetros de elétricos como no primeiro semestre deste ano, tendo sido feitos 170 mil carregamentos na sua rede de carregamento público, o suficiente para percorrer catorze milhões de quilómetros sem recorrer a combustíveis fósseis. “Quanto é que são catorze milhões de quilómetros? São trezentas voltas ao planeta Terra sem emitirmos CO2. Portanto, foi uma adesão muito significativa à nossa rede de carregamento público e que nos deixa muito entusiasmados”.

Em Portugal, a EDP tem mais de 1500 pontos de carregamento público, estão presentes em 150 municípios, e vão continuar a fazer aqui um forte investimento, muitas vezes em parceria, nomeadamente com a Brisa.

Em jeito de conclusão, Vera Pinto Pereira afirmou que “temos um mundo ainda pela frente e temos muita coisa para fazer e não podemos ficar por aqui”. “É preciso continuar a apostar na infraestrutura de carregamento pública e privada, e é preciso continuar a incentivar as soluções de carregamento, mesmo em zonas de menor utilização de veículos elétricos”, prosseguiu. “É também preciso continuar a apoiar a adesão a veículos elétricos. Portugal está na linha da frente da penetração de veículos elétricos nos novos veículos vendidos, mas temos que trabalhar também na adesão de veículos elétricos nos segmentos com maior impacto”.

Ana Meireles

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