
Carlos Moreira: "Eletrificar as frotas é decisivo porque são 50% das emissões"

O desafio da eletrificação das frotas empresariais esteve em foco no painel da manhã do Mobi Summit. A EDP convidou os seus parceiros que atestam que a opção elétrica já não é um imperativo ambiental, mas também um imperativo de negócio, diz o administrador da EDP, Carlos Moreira.
Sabemos que a eletrificação da mobilidade já não é uma mera opção, mas um destino com meta anunciada, bastando olhar para as dramáticas consequências do aquecimento global. Mas como acelerar o processo para as energias limpas? Até que ponto dar mais impulso à eletrificação das frotas empresariais pode ajudar a acelerar a transição? Este foi o mote do painel 'O Desafio da Eletrificação das Frotas', organizado pela EDP no âmbito do Portugal Mobi Summit e que decorreu esta quarta-feira no auditoria da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa.
Para o administrador da EDP, Carlos Moreira, não ha dúvidas de que começar a transição energética pelas frotas corporativas é um contributo muito decisivo, se bem que , como a urgência é tanta, tem de se avançar ao mesmo tempo em todas as frentes.
Mas "o peso que as frotas têm nas emissões é muito marcante". O administrador exemplicou: "se os transportes contribuem com 25% para o total das emissões, as frotas são responsáveis por 50% destas emissões".
Para lá da dimensão ética - "as empresas têm de mostrar confiança na transição energética" - o papel da eletrificação das frotas é também importante por outra razão: "muitos veículos de frotas acabam por entrar no mercado de usados, contribuindo para acelerar como um todo o mercado das empresas e particulares com menos recursos", considerou aquele gestor. Por outro lado, argumentou, transmite um sinal de incentivo aos investtidores de infraestrutura de que há procura e há luz verde para instalar mais pontos de carregamento.
Na perspetiva do benefício para as empresas, "hoje em dia a opção da eletrificação já é um bom negócio, " nomeadamente porque , dependendo da tipologia , "o veículo elétrico já é mais económico do que outro a combustão". Ou seja, " já não é só um imperativo ambiental, mas também um imperativo de negócio".
Num mercado em que ainda há muitas dúvidas e alterações, as parcerias de negócio são vistas como fundamentais pelos operadores. A EDP tem uma parceria com a Leaseplan, em que apoia a locadora a ajudar os seus clientes a gerirem as suas frotas elétricas.
“Os veiculos elétricos já representam 20% do total da frota da Leaseplan”, disse o seu diretor geral, Antonio Oliveira Martins. Mas há um dado revelador: “na produção de 2023 essa percentagem já é de 50%”. A aceleração está está em curso e só não vai mais rápida, devido aos travões colocados primeiro pela pandemia e depois pela Guerra na Ucrânia. Tudo somado faz com o tempo médio de espera para entrega de um veículo esteja agora nos seis meses, explica António Oliveira Martins.
Aquele responsável também considera que o custo total de utilização do veículo elétrico já pode ser compensado pelo investimento.
“Hoje o panorama não é o ideal, mas é muito mais favorável às frotas do que há 5 anos”, considerou o diretor-geral.
António Oliveira Martins considerou que a situação está longe de ser um mar de rosas. “Queremos ser um integrador de uma solução chave na mão”, mas ainda há condicionantes. O mercado ainda não está suficientemente massificado. O gestor da Leaseplan aponta ainda o problema da falta de transparência da experiência do custo de carregamento, que é particularmente problemática para empresas.
Sobre este ponto, Carlos Moreira adiantou que a EDP tem soluções como a app EDP Charge, que permite fazer uma simulação do custo de carregamento, bem como ver o histórico do custo de todos os carregamentos efetuados e também visa uma factura discriminada de energia.
Nesta tríade da mobilidade elétrica outra parceria importante é com os concessionários e a EDP elegeu a Santogal, enquanto maior grupo português que representa mais de 30 marcas. O seu diretor para a Mini e BMW, Mário Jácome, acredita que nos próximos dez anos a mobilidade vai mudar mais do que nos últimos 100 anos. E diz que o custo de utilização de um veiculo elétrico em quatro anos tem uma redução de cerca de 30%. É significativo, diz.
Tal como António Oliveira Martins, Mário Jácome considera que é necessário um processo intenso de abate aos carros antigos com mais de 14 e 20 anos, os grandes responsáveis pela poluição. Ambos são partidários da manutenção dos inventivos à compra de veículos elétricos, que chegou a ser questionada pelo Governo, mas que afinal, deverá continuar. A decisão foi anunciada pelo ministro do Ambiente e Ação Climática durante o arranque do Portugal Mobi Summit, no dia 22.