
Europeus defendem políticas contra alterações climáticas

A opinião pública dos 27 é favorável a iniciativas de transição energética e maior dose de economia verde. Os portugueses estão muito acima da média europeia na perceção dos riscos de clima.
Os europeus querem acelerar a transição energética e apoiam a criação de uma economia verde na UE. Segundo o mais recente inquérito dedicado ao tema do clima, 93% da opinião pública europeia está convencida de que as alterações climáticas são um problema grave no planeta. Nesta sondagem a nível europeu (Eurobarómetro 538) foram entrevistadas mais de 26 mil pessoas em 27 países, no período entre 10 de maio e 15 de junho.
Os resultados são claros: o clima é uma das maiores preocupações dos europeus, ao lado de dois outros temas, a guerra e a economia; a maioria da população (52%) defende que seja acelerado o processo de adoção das energias renováveis e, neste ponto, curiosamente, Portugal é um dos países mais favoráveis, com apoio de 62%. O Eurobarómetro sobre alterações climáticas revela que sete em cada dez inquiridos acreditam que a redução das importações de combustíveis fósseis vai aumentar a segurança energética da UE e melhorar a economia. Existe forte maioria (88%) a favor da meta de neutralidade carbónica em 2050.
Vistos em detalhe, os dados da sondagem mostram importantes variações nacionais. Por exemplo, questionados sobre a sua exposição a riscos ligados ao clima, dois terços dos europeus dizem que não estão expostos a esse perigo, mas a resposta em Portugal é a inversa: dois terços dos inquiridos sentem-se em perigo e apenas um terço admite não haver risco climático na sua vida. O inquérito não esclarece a que se deve a diferença, mas ela é gritante. Possivelmente, a sensação de perigo sentida pelos portugueses estará relacionada com os incêndios florestais e a noção de que estes são mais graves devido às alterações climáticas.
A sondagem sugere que a opinião pública da UE é favorável a maior intervenção das autoridades europeias no domínio das políticas sobre ambiente. Por exemplo, 85% dos inquiridos apoiam os objetivos de eficiência energética para 2030, nomeadamente melhoria do isolamento térmico das casas, mais painéis solares e carros elétricos. Em Portugal, a proporção de respostas favoráveis é quase total, 97%. O mesmo acontece no apoio às energias renováveis (vento e solar, até 2030): 87% na UE e 97% em Portugal.
O apoio da opinião pública esfria um pouco quando as perguntas se tornam mais concretas, sobretudo quando se menciona a atitude individual. No conjunto dos 27 países, 63% dos inquiridos dizem que nos últimos seis meses praticaram alguma ação contra as alterações climáticas (Portugal, 68%). No entanto, os impactos variavam, por exemplo, no uso de transportes públicos em vez de carro privado ou bicicleta: 28% dos europeus dizem ter usado transportes alternativos menos poluentes, apenas 16% dos portugueses admitem essa mudança. Questionados sobre menor consumo de carne, 31% dos inquiridos europeus admitem reduzir, mas apenas 13% dos portugueses aceitam comer menos carne.
Em resumo, os cidadãos europeus são favoráveis a reformas na área das alterações climáticas e consideram que a UE, os governos e a indústria têm responsabilidades nas políticas de redução de emissões e eficiência energética. Os resultados do Eurobarómetro parecem apoiar as ambições da UE no setor, nomeadamente a intenção de introduzir um pacote legislativo que permitirá reduzir até 2030 as emissões de gases com efeito de estufa, numa proporção de 55% face aos níveis atingidos em 1990. Isto inclui iniciativas de Bruxelas na biodiversidade, na economia circular, na redução de desperdícios e na alteração fundamental dos setores da energia e transportes.
Luís Naves