
Maior projeto de lítio do mundo é na Califórnia e tem capital da Stellantis

O grupo automóvel Stellantis, liderado por Carlos Tavares, vai investir mais de 100 milhões de dólares no maior projeto mundial geotérmico de lítio, na Califórnia, para apoiar a eletrificação dos seus veículos e reduzir a dependência da China.
O acesso a minerais críticos, como o lítio, é decisivo para a indústria automóvel vencer a batalha da eletrificação. Conhecida que é a extrema dependência da China, por parte dos países ocidentais, para aceder às matérias-primas da nova era elétrica, as marcas europeias estão em desvantagem com os concorrentes orientais face aos prazos apertados que impôem o fim da construção de veículos a combustão no mercado europeu a partir de 2035. Disso mesmo deu conta o CEO da Stellantis, Carlos Tavares, numa entrevista recente ao jornal francês Le Figaro. Para Tavares, “a UE estendeu o tapete vermelho à China”, nas regulamentações sobre eletrificação do setor, admitindo mesmo que alguns fabricantes europeus podem não ter capacidade para resistir à concorrência chinesa.
É neste cenário, também, que se enquadra o importante investimento da Stellantis revelado este mês, de mais de 100 milhões de dólares, no maior projeto mundial geotérmico de lítio, na Califórnia (EUA). O novo acordo celebrado com a Controlled Thermal Resources Holdings Inc. (CTR) inclui “o aumento do fornecimento inicial de hidróxido de lítio para baterias – de 25.000 para 65.000 toneladas métricas por ano, a partir de 2027 –, sendo expetável que a capacidade total de recursos possa atingir até 300.000 toneladas métricas de carbonato de lítio equivalente por ano”, refere o grupo. O consórcio automóvel integra marcas tão importantes como Citroen, Fiat, Opel, Jeep, Chrysler, Alpha Romeo, Maserati, Dodge, Lancia, entre outras.
O projeto irá recuperar lítio de fontes geotérmicas, usando energia renovável para produzir produtos de lítio para baterias mais ecológicas, através de um processo totalmente integrado, eliminando a necessidade de tanques de evaporação, minas a céu aberto e/ou processamento de lítio alimentado por combustíveis fósseis.
O investimento reflete também uma reforçada aposta no mercado norte-americano. Como parte do plano estratégico Dare Forward 2030, a Stellantis anunciou planos para alcançar 100% de vendas BEV nos automóveis de passageiros na Europa e 50% de vendas BEV nos automóveis de passageiros e veículos comerciais ligeiros nos Estados Unidos até 2030. Para atingir estes objetivos de vendas, a empresa está a garantir aproximadamente 400 GWh de capacidade de baterias, apoiada por seis fábricas de baterias na América do Norte e na Europa. Mais, a Stellantis quer tornar-se uma empresa de zero emissões líquidas de carbono até 2038, incluindo todas as áreas da empresa, com uma compensação percentual de um dígito das restantes emissões.
“Este investimento substancial na CTR por parte da Stellantis constitui um marco extraordinário para a nossa empresa e solidifica ainda mais os nossos esforços para apoiar a produção sustentável de baterias para veículos elétricos”, afirmou o Diretor Executivo da CTR, Rod Colwell. “Com a adoção de veículos elétricos em rápido crescimento nos EUA e em todo o mundo, nunca foi tão importante garantir que os materiais das baterias sejam obtidos e produzidos de forma responsável. Através da localização da cadeia de abastecimento de baterias, podemos minimizar os riscos associados e criar milhares de empregos numa comunidade desfavorecida. Aplaudimos a liderança da Stellantis e esperamos trabalhar em conjunto para estabelecer novos padrões de referência na indústria em termos de fiabilidade, eficiência e sustentabilidade”, afrmou aquele responsável.