
Mais de 580 PME instalaram carregadores da EDP acessíveis ao público

Cafés, minimercados ou pequenos hotéis são exemplos de PME que estão a instalar pontos de carregamento elétrico nos seus parques de estacionamento, contribuindo assim para melhorar a rede pública da Mobi.E. Esta deverá chegar aos 10 mil pontos a nível nacional até 2026.
Joel Moreira é proprietário de uma confeitaria e minimercado em Vale de Cambra e, ao mesmo tempo, locador de um ponto de carregamento elétrico público. Se há um ou dois anos lhe dissessem que o seu parque de estacionamento ia ser a base para um dos mais de 7 mil pontos de carregamento da rede MOBI.E talvez não acreditasse. Mas há cerca de dois meses tem à porta aquele que é o único posto do género na localidade, que faz fronteira com Arouca. “Fomos contactados pela EDP e aceitámos, porque achámos que era uma mais-valia para a comunidade e para o negócio”, disse o gerente da Confeitaria Central da Farrapa. E, apesar do curto tempo de experiência, a expetativa confirma-se: “Como estamos junto à estrada nacional, as pessoas veem a localização na App e páram aqui para carregar e tomar alguma coisa”, disse o empresário ao Portugal Mobi Summit.
Este é apenas um entre os 586 exemplos de pequenas e médias empresas (PME) que até final de agosto tinham aderido à mobilidade elétrica da EDP Comercial. Cada uma instala, em média, três carregadores. Segundo dados fornecidos pela companhia de energia, a expansão do número de pontos no segmento das PME está a ser assinalável: “Só em 2023, foram 240 as pequenas e médias empresas a aderirem”. Um indicador que, em apenas meio ano, representa quase metade da subida verificada nos três anos anteriores.
É um crescimento alinhado com a estratégia de proximidade adotada pela EDP Comercial para levar a mobilidade elétrica a zonas do Interior ou fora dos grandes centros urbanos. A empresa diz-se apostada em “desenvolver a rede pública nacional através de parcerias não só com grandes empresas, mas também com PME”, o que vê como “fundamental para continuar a promover a adoção de mobilidade elétrica e a disponibilização de soluções de carregamento em cada vez mais locais”.
Portugal é um dos cinco países da UE com mais pontos de carregamento por 100 Km de estrada, mas os portugueses ainda apontam a falta de soluções próximas de carregamento como razão principal para adiarem a adesão aos veículos elétricos.
Disso mesmo se queixava Alberto Valente, proprietário de um supermercado em Seia, antes de se ter tornado, também ele, locador de um posto de carregamento EDP. “Foi há cerca de dois meses que instalaram o posto aqui, onde durante muito tempo não havia soluções, só agora é que começam a aparecer mais dois ou três postos na área em redor da Serra da Estrela”, disse o empresário. A experiência já melhorou as condições da localidade e, no seu caso concreto, parece ter induzido novos comportamentos. Alberto Valente espera comprar em outubro um veículo híbrido plug-in. O próximo passo será o elétrico, “porque é o futuro”.
O investimento na instalação dos carregadores e respetiva operação e manutenção é da responsabilidade da EDP Comercial e não apresenta custos para as empresas. Pelo contrário, estas recebem uma remuneração pela disponibilização do espaço, o que está a acontecer em todos os distritos do continente, assinala a operadora.
“Os carregadores, ao abrigo destas parcerias, estão ligados à rede pública MOBI.E, podendo ser usados por qualquer utilizador com um cartão CEME ou acesso a uma app de mobilidade elétrica, como a EDP Charge”, explica a empresa.
Os setores da hotelaria e retalho representam cerca de 60% das parcerias realizadas, sendo que os restantes 40% estão repartidos por setores muito diversificados.
A elétrica tem o objetivo de ter conectados à rede pública 7.000 pontos de carregamento até 2026. O crescimento na adesão das PME é, por isso, encarado como uma ferramenta importante para atingir aquela meta.
Já o conjunto da rede Mobi.E. deverá atingir os 10 mil pontos em 2024 e os 15 mil em 2025, a nível nacional, estimou recentemente o presidente daquela entidade, Luís Barroso, em entrevista Portugal Mobi Summit. O planeamento da expansão da rede está em linha com os novos regulamentos da União Europeia nesta matéria, que estipulam uma distância máxima de 60 km entre dois pontos de carregamento nas estradas comunitárias.
(Saiba tudo sobre o Portugal Mobi Summit em www.portugalms.com)
Carla Aguiar