Só os finlandeses estão satisfeitos com a ação climática do seu governo

2023
30-10-2023

Dois terços dos europeus acham que a responsabilidade de travar as alterações climáticas é de governos e empresas. Em 2019, só 8% usavam a bicicleta como meio de transporte e, em Portugal, a percentagem era mesmo nula.  

A grande maioria dos europeus escapa às teses negacionistas e olha para as alterações climáticas como um problema mundial grave. São 93% os que estão preocupados com as consequências do aquecimento global, segundo um inquérito de iniciativa da Comissão Europeia realizado junto de mais de 26 mil pessoas de vários estratos. Mas só 16 dos 27 países colocam o assunto no top 3 dos mais graves a nível global. E só 35% dos cidadãos da UE assumem que têm uma quota parte de responsabilidade na situação e na alteração do estado atual, endereçando-a maioritariamente aos governos e à indústria.

A percentagem dos europeus que afirma ter tomado medidas a nível individual para preservar o ambiente é de cerca de seis em cada dez. E o país onde esse empenho é maior (82%) é o Luxemburgo, logo seguido pela Finlândia e Suécia. No outro extremo estão a Polónia (39%), a Bulgária (35%) e a Roménia (29%).

A reciclagem, redução do plástico e de embalagens descartáveis e compra de alimentos biológicos são apontadas como as medidas mais populares. Utilizar alternativas ecológicas ao automóvel particular, como andar de bicicleta ou de transportes públicos, é a segunda ação pelo clima mais comum na Finlandia e no Luxemburgo. E, apesar de ser a que mais pode fazer pela redução das emissões, não é a mais popular nos 27 Estados. E, particularmente em Portugal, onde a alternativa da bicicleta tem uma adesão ínfima.
De acordo com um inquérito Eurobarómetro, em 2019, apenas 8% dos cidadãos da União Europeia apontaram a bicicleta ou a scooter privada como o seu principal meio de transporte num dia típico. Nesta matéria, a realidade é muito diversa nos países nórdicos e na Holanda face aos países do Sul e de Leste.

Enquanto nos Países Baixos 41% dos participantes disseram que usavam uma bicicleta ou uma scooter como principal meio de transporte (a taxa mais elevada), na Suécia essa percentagem era de 21% e na Alemanha de 15%. Apenas sete países apresentaram valores mais elevados de utilização de bicicletas e scooters do que a média da União Europeia (UE). Os outros foram a Hungria (14%), a Finlândia (13%) e a Dinamarca e a Bélgica (ambas com 12%). Já em Portugal ou no Chipre, naquele ano, aquela percentagem era mesmo nula. No Reino Unido e na França, os valores eram de 2% e 3%, respetivamente. Nos últimos quatro anos, registaram-se algumas mudanças positivas nesta matéria, com a construção de mais ciclovias nas cidades portuguesas, mas os grande números não se alteraram de forma dramática a nível nacional.

Voltando ao inquérito sobre as alterações climáticas, quando a questão é relativa à responsabilidade dos governos, só os finlandeses consideram, maioritariamente, que o seu governo está a fazer o suficiente. Mais de dois terços dos cidadãos da UE consideram que as autoridades dos seus países não estão cumprir com o que se exige.

Ainda assim, prevalece algum otimismo, com três quartos dos participantes no estudo a pensarem que a ação climática da UE poderá conduzir a inovações que ajudarão as empresas a fazer a transição energética. Conclusões que levaram o responsável pela política ambiental de Bruxelas, Frans Timmermans, a afirmar que "os europeus compreendem a ameaça das alterações climáticas e continuam a apoiar a ação climática da UE, dos governos nacionais, das empresas e dos indivíduos, cabendo aos políticos e aos decisores políticos atender a esse apelo", em declarações citadas pelo Euronews.

Carla Aguiar

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