Usar as bicicletas Gira sem pagar já é mais fácil para todos os residentes em Lisboa

2023
16-09-2023

A CML quer incentivar o uso do transporte público e das bicicletas. Esta semana é inaugurada uma ciclovia temporária a ligar os Restauradores à Rua da Prata. Desde a introdução do passe gratuito para jovens e idosos, o número de novos utilizadores do Navegante nestas idades quase duplicou para 90 mil.

Combinar o uso de transportes públicos com bicicletas partilhadas é a solução de mobilidade mais sustentável e é, a partir de agora, mais fácil de fazer em Lisboa, de modo gratuito. O processo de utilização das bicicletas Gira acaba de ser simplificado para os residentes de todas as faixas etárias e não apenas para jovens e idosos. Para aceder a viagens gratuitas de bicicleta basta ter o cartão Navegante ativo e descarregar a App Gira (no site da Emel), indicando o comprovativo da residência fiscal. “Até aqui, os residentes entre os 24 e os 64 anos tinham de deslocar-se a uma lógica física da Emel para tratar do processo, ficando agora dispensados desse passo”, explicou a diretora municipal de Mobilidade da CML, Ana Raimundo.

Esta é apenas uma das medidas com que a autarquia lisboeta marca o arranque, hoje, da Semana Europeia da Mobilidade. É uma iniciativa da Comissão Europeia que visa promover uma mobilidade mais sustentável rumo à neutralidade carbónica, com a qual a capital portuguesa se comprometeu até 2030.

Foi também com esse objetivo em mente que o preço do passe Navegante foi substancialmente reduzido, tendo-se mesmo tornado gratuito para jovens até aos 23 anos e maiores de 65, em Lisboa. Uma aposta que está a dar resultados. Dados fornecidos pelo gabinete da presidência indicam que desde a introdução da gratuitidade até julho deste ano, os utilizadores do cartão navegante abrangidos quase duplicaram de 57.745 para 90.554. Só no grupo dos maiores de 65 foram mais de 9 mil os novos pedidos, contando-se agora em quase 21 mil utilizadores. Subidas significativas registaram-se igualmente no grupo até aos 18 anos, com mais 3600 aderentes e no grupo sub 23, que conta agora mais 2400 utilizadores.

Ainda será preciso um esforço muito maior para garantir a transição do carro individual para modos de mobilidade mais amigos do ambiente. A aposta nas bicicletas é, por isso, para continuar e reforçar, adiantou Ana Raimundo. Tendo em conta apenas a frota municipal das Gira, são cerca de 1600 bicicletas, a que se somarão mais 500 até ao fim do ano. No ano passado as 2,6 milhões de viagens realizadas mais que dobraram as registadas em 2021, numa tendência que deverá continuar a bater recordes até ao final deste ano, estimam as autoridades municipais. A simplificação e gratuitidade do processo deverão contribuir para reforçar a adesão.

A diretora para a Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa confirmou planos de expansão das ciclovias, a anunciar brevemente, mas precisou que “mais do que fazer novas ciclovias, o que é preciso é criar redes cicláveis”. Porque, se é verdade que Lisboa tem atualmente 172 km de ciclovias, “em alguns casos não são redes cicláveis”. A propósito, Ana Raimundo adiantou que auditoria em curso encomendada para repensar e criar redes cicláveis deverá estar pronta em Outubro.

Melhorar as ligações das ciclovias entre si e aos pontos críticos é igualmente o objetivo do programa Bici, da Bloomberg, ao qual Lisboa concorreu e foi uma das dez selecionadas. A capital ganhou 400 mil euros para investir nesta área. E esta semana vai inaugurar em modo experimental uma 'ciclovia pop-up' que vai dos Restauradores até à Rua da Prata. “Vai funcionar como um teste”, anunciou a responsável. Haverá um inquérito aos utilizadores e se o resultado for positivo é provável que continue, acrescentou.

De bicicleta para a escola

Uma das apostas estratégicas de Lisboa para “reduzir as emissões e criar novos hábitos sustentáveis é levar as ciclovias às escolas, de modo a promover uma nova forma de mobilidade escolar”, provada que está a relação direta entre o uso do carro particular pelos pais e o acto de levar os filhos à escola.

Esse é igualmente o espírito dos programas municipais em curso junto dos alunos até ao segundo ciclo do ensino básico, como o “Amarelo” ou os “Comboios de Bicicletas”. O primeiro passa por, mediante inscrição, as crianças irem para a escola de autocarro, acompanhadas por monitores da CML, que as recolhem nas paragens da Carris e as deixam junto às escolas. O segundo programa consiste na deslocação dos alunos às escolas por meio de bicicleta, igualmente orientados por monitores. “É importante perceber que há outros modos de ir para a escola”, diz Ana Raimundo. E, se queremos, atingir a neutralidade carbónica em sete anos, temos de começar a mudar hábitos desde tenra idade.

Atualmente, são já 17 as escolas lisboetas que aderiram aos 'Comboios de Bicicletas', com 28 percursos que permitem deslocações mais divertidas e saudáveis. Segundo dados fornecidos pela autarquia, entre março e junho de 2022 realizaram-se 372 viagens e foram transportadas 240 crianças. E é uma linha a prosseguir neste ano letivo de 2023/24, com o investimento previsto da CML no programa a chegar aos 127 mil euros. É necessário, apenas, que o aluno tenha uma bicicleta e que defina o ponto de partida para que seja criado um percurso, que passa pelo local indicado pelo encarregado de educação do aluno, até ao estabelecimento de ensino.

A nível interno, a autarquia está em processo de descarbonização, com a quase totalidade da sua frota eletrificada ao mesmo tempo que prossegue o esforço de investimento na eletrificação dos autocarros da Carris, resumiu Ana Raimundo.

Carla Aguiar

Artigos relacionados

Chegou a primeira bicicleta elétrica que dispensa bateria

Sebastian Poss: “Indústria de camiões tem de baixar emissões a todo o custo"

Carlos Moedas: "O desafio da mobilidade também passa por urbanismo e habitação"