Duarte Cordeiro: Apoio a compra de carros elétricos mantém-se mas com novas regras

2023
22-09-2023

Ministro do Ambiente encerrou conferência do Portugal Mobi Summit com anúncio de que Governo está a estudar apoios para aquisição de elétricos para quem realmente precisa. E disse também que quer dar às autarquias poder sobre os TVDE. Para as frotas de autocarros, há um reforço de 70 milhões

O Governo vai continuar a apoiar a compra de carros elétricos por particulares, mas haverá novidades. O anúncio foi feito esta sexta-feira por Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente e da Ação Climática, no encerramento da conferência “Rumo a um Mundo Net Zero - Os Desafios da Transição, no âmbito do Portugal Mobi Summit. O governante sublinhou, contudo, que o Executivo está a repensar esses apoios, de forma a serem atribuídos a quem realmente precisa, deixando transparecer a ideia de que os subsídios poderão aplicar-se a viaturas mais baratas.

“Vamos focalizar este apoio para ter a certeza de que não estamos a incentivar a compra do terceiro ou quarto veículo ou a apoiar veículos desnecessários, pesados ou caros, mas dar apoios para pessoas que possam fazer a diferença”, anunciou Duarte Cordeiro. O ministro considerou aliás, que não faz sentido subsidiar a aquisição de carros elétricos sem um novo foco, sublinhando ainda que é preciso “pensar na dimensão tarifária”

Uma medida que se insere na meta da neutralidade carbónica antecipada até 2045 e na redução da emissão de gases em 50% até 2030, sendo certo que a mobilidade é um setor que contribui fortemente para este fenómeno.

O ministro do Ambiente anunciou ainda o investimento nos transportes públicos, de forma a desincentivar o uso de veículos particulares, com o investimento de 70 milhões de euros adicionais para frotas de autocarros no país. O objetivo é substituir as frotas por veículos sem emissões ou movidos a hidrogénio.

Em estudo está também a revisão de incentivos ao abate de carros em fim de vida, disse Duarte Cordeiro.

Contrariando uma tendência de diminuição de emissão de gases, entre 2013 e 2019 registou-se uma subida de 12%, o que muito se deve do automóvel particular nas deslocações pendulares. Daí o reforço de apoios e incentivos ao uso dos transportes públicos, nomeadamente através das redução das tarifas – como é o caso do passe que permite viajar em toda a Área Metropolitana de Lisboa por 40 euros mensais.

Mudanças para TVDE e táxis

Outro fenómeno que contribuiu para o aumento da emissão de gases é a circulação de táxis e veículos TVDE, que cresceu 28%. Para travar este crescimento, estão a ser tomadas algumas medidas - o primeiro passo já foi dado com o novo regulamento que pôs fim “ao disparate absoluto” que impedia que um tái que fizesse o transporte de um passageiro para um município diferente pudesse trazer outro no regresso.

Já sobre os operadores das plataformas, o ministro avançou que haverá novas regras e que o Governo pretende “dar mais poder aos municípios e às comunidades intermunicipais”.

“Vamos ter de trabalhar de forma clara no incentivo à transição na mobilidade. Queremos uma mobilidade que evite o desperdício coletivo e uma mobilidade suave e que se for feita com carro particular que seja descarbonizada”, afirmou.
A visão do ministro do Ambiente para a gerir a mobilidade urbana e ao mesmo tempo a redução de emissões de carbono, assenta em três palavras: evitar, transferir e melhorar. 

Ou seja: evitar traduz-se por reduzir as deslocações desnecessárias. E, nesse sentido, apelou aos municípios que se lembrem do papel importante que têm no desenho do urbanismo das cidades. E estendeu o apelo também às empresas para que apostem mais na digitalização. O período pandémico, disse, serviu para se experienciar o trabalho coletivo à distância.

Quando a palavra chave é transferir, Duarte Cordeiro apela ao uso de transportes públicos e à mobilidade suave, seja de bicicleta ou mesmo a pé. 

Melhorar é a terceira palavra. Neste campo, o ministro incluiu o papel do Governo no sentido de continuar a apoiar a compra de carros elétricos por particulares e o investimento de 70 milhões para a renovação de frotas de autocarros mais amigos do ambiente.

Artigos relacionados

Lisboa mobilizada para as duas rodas

UE impõe regras para redes de energia, mas Portugal não tem lei para hidrogénio

MOBI REPORT: A EDP e a rede de carregamento elétrico