É necessário criar zonas para testes com drones e tecnologia de voo autónomo

Conferências
05-11-2024

Responsáveis da Tekever e do CEiiA realçaram a necessidade de reformular zonas livres tecnológicas em Portugal destinados à realização de testes com drones e voo autónomos, no painel dedicado ao papel da Inteligência Artificial no futuro da mobilidade.

O transporte de pessoas para diferentes pontos urbanos através da atual tecnologia de voo autónomo foi o ponto de partida para o debate sobre “o papel dos drones, do voo autónomo e da Inteligência Artificial no futuro da mobilidade”, na Cimeira de Oeiras do Mobi Summit, com Ricardo Mendes, Founder e CEO da Tekever e José Rui Felizardo, CEO do CEiiA. Além das barreiras apontadas, ficou exemplificada a eficácia que a tecnologia já dispõe. O Portugal Mobi Summit 2024/2025 é uma iniciativa conjunta das marcas DN,JN,TSF, DV e Motor24 com o apoio Oeiras Valley.

Segundo Ricardo Mendes não existe nenhuma barreira do ponto de vista da aeronave para os voos autónomos, estando os desafios colocados na “interação com as outras naves que partilham o mesmo espaço aéreo. O líder da Tekever começou por explicar que toda a operação do negócio da empresa, o transporte de informação, já é feita automaticamente, existindo apenas intervenção humana para definir a intenção e a intervenção, caso seja necessário, na operação.  “É autónoma, inclusivamente em ambientes onde não existem sensores, onde não existe, por exemplo, a capacidade de ter GPS. No caso da Ucrânia guiamo-nos pelas câmaras e, portanto, conseguimos saber onde estão, tal como um piloto humano faria se perdesse os seus instrumentos de navegação”, exemplificou, notando que “fazer navegação sem aspetos visuais é muito mais fácil para um computador do que para uma pessoa”.  

No mesmo sentido, José Rui Felizardo abordou duas questões até chegarmos ao ponto de imaginarmos um espaço aéreo de baixa altitude e em que todas as unidades estejam conectadas, nomeadamente a regulação e regulamentação de zonas e a capacidade de interação com as infraestruturas existentes. O fundador e diretor executivo do CeiiA vincou que a tecnologia já dispõe de variados serviços, sendo agora necessário torná-los utilizáveis nas cidades, dando o exemplo do que é feito no CeiiA. “Pensamos a tecnologia em função da lógica de uso, não pensamos e não fazemos desenvolvimento de tecnologia e vamos ver como é que a vamos usar”, afirmou, dando o exemplo do projeto conjunto com o Hospital de São João, no Porto, que vai ser servido pelo primeiro serviço de emergência médica com o uso de drones. 

Ganhar escala, dimensão e continuar a apostar na tecnologia

Para fazer esse enquadramento da tecnologia às necessidades dos cidadãos e torná-la utilizável nas cidades é necessário ganhar escala e dimensão e testar no terreno esses equipamentos. De acordo com José Rui Felizardo, as atuais zonas livres tecnológicas, locais destinados à realização de testes de tecnologias e processos inovadores de base tecnológica, não permitem testar este tipo de tecnologia de voo autónomo. “Para podermos testar essa tecnologia temos que escolher outros sítios, especialmente fora da Europa para o poder fazer”, referiu.

Também Ricardo Mendes, da Tekever, assume que as atuais zonas livres tecnológicas não servem os serviços da empresa que se assume como uma das maiores fabricantes de drones da Europa. “Este é um dos grandes desafios e é uma das áreas onde é necessária intervenção pública de governos. Portugal tem de criar condições para atrair este tipo de projetos”, lamentando a lentidão dos processos de decisão. Já sobre a questão dos problemas éticos que voo autónomo e a condução autónoma podem colocar, Ricardo Mendes atira que não é possível fazer uma comparação entre ambos, mas acredita que dentro de décadas a “robótica conectada vai ser tão omnipresente como a Internet”. 

Por sua vez, José Rui Felizardo olha para a IA como um acelerador de todo o processo, o que altera a forma como pensamos no futuro. “O que está em causa é planear em função de quem vai usar. E a tecnologia vai ter que se adaptar em função disso. Não se planeia em função da evolução da tecnologia, mas planeia-se em função do uso. Planeia-se em função dos modelos de uso que desejamos”, explicou. Olhando para o terreno, o líder da Tekever corrobora na ideia de que tudo é pensado a partir da sua utilização, sendo este o “núcleo” da sua empresa. “Hoje em dia congregamos tudo numa equipa que o que faz é procurar oportunidades de aplicação dentro e fora de portas”. 

Por fim, José Rui Felizardo realçou novamente que o problema da condução autónoma não está associado ao veículo, mas às infraestruturas existentes, assinalando que a interação do veículo com todos os objetos é um dos desafios para o futuro. Também Ricardo Mendes antecipa que o “grande desafio é a integração num sistema onde existem muitos outros atores, nomeadamente humanos. É preciso sensibilizar e depois é preciso sensibilizar e isso é que vai viabilizar também a utilização massiva deste tipo de sistemas”, afirmou. 

Redacao DN

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