Passageiros da Carris Metropolitana aumentaram 25% até outubro

Conferências
11-11-2024

Há bons avanços no preço de acesso aos transportes e no número de utilizadores da Carris, que cresce 25%. Mas o rápido aquecimento global exige mais velocidade e articulação de todas as entidades de mobilidade. Foram conclusões da Mobi Summit.

O incentivo ao transporte público é um eixo central das políticas de mobilidade e de combate às alterações climáticas, visto que os transportes rodoviários contribuem com mais de 20% para as emissões de gases com efeito de estufa. Há avanços recentes de peso nas políticas tarifárias de acesso ao transporte coletivo, com a redução do passe ferroviário nacional para 20 euros, e aumentos de 25% no número de passageiros que viajaram na Carris Metropolitana até outubro, por exemplo, graças ao Passe Navegante.

Mas as alterações climáticas exigem uma velocidade e abrangência muito mais ampla e sistémica de medidas do que as que estão a ocorrer em Portugal. Ainda há muito por fazer ao nível dos municípios, entidades públicas e cidadãos para que o carro individual deixe de ser o meio de transporte dominante e poluente que ainda é, a tempo de chegarmos a 2030 com menos 60% das emissões de CO2 face aos níveis de 1990, como nos comprometemos no Acordo de Paris. Esta foi uma das conclusões da conferência de lançamento da 7ª edição do Portugal Mobi Summit, na última terça-feira, no Parque dos Poetas em Oeiras.

Se do lado do Governo, a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, anunciou que, no próximo ano, serão investidos 820 milhões de euros, em várias frentes, no objetivo de alcançar uma mobilidade mais sustentável, os autarcas de Cascais, Oeiras e Aveiro apontaram o dedo ao funcionamento burocrático e inoperante de algumas entidades públicas do setor que funcionam como forças de bloqueio à ação municipal, a começar pelo IMT.

Os presidentes de Oeiras e de Cascais reclamaram, em concreto, a urgência de construção de um corredor BUS na autoestrada Lisboa-Cascais (A5), para aliviar o pesado congestionamento de trânsito que afeta os dois concelhos, por inércia dos últimos governos e da Brisa, acusam. “A renegociação do contrato de concessão com a Brisa e o início das obras é urgente”, reclamam os autarcas, com Oeiras a sustentar mesmo que “se o Governo e a Brisa não fizerem o que devem fazer, o município tem condições de avançar”.

Enquanto o Governo assume o objetivo de aumentar a quota do transporte público limpo de 14% para 20% até ao final da década, os municípios vão desenvolvendo os seus modelos de mobilidade integrada, entre meios suaves (bicicletas e trotinetes) e transporte coletivo, geríveis através de aplicações móveis. O MobiCascais e o OeirasMove, apresentado na Mobi Summit, são exemplos disso mesmo, apontando uma tendência de futuro. As frotas municipais elétricas ou movidas a hidrogénio são também um passo dessa estratégia, à medida que as vendas de veículos elétricos representam cerca de um quarto do mercado nacional.

Porque “é preciso sonhar o futuro hoje, para que amanhã não seja tarde demais”, como lembrou Vitor Coutinho, CEO do Global Media Group, na abertura da conferência, a condução autónoma, os drones e a Inteligência Artificial também têm um papel a desempenhar na mobilidade do futuro. Isso mesmo ficou patente no painel dedicado aos exemplos da Tekever (dos maiores fabricantes de drones na UE), com modelos na Ucrânia, e do CEiiA, que desenvolve veículos autónomos para fins de emergência médica no Hospital de São João, no Porto, mas que pode ter múltiplas aplicações como no setor das entregas, por exemplo. Ambas as empresas se queixaram, no entanto, de falta de condições legais para testes de voo autónomo em Portugal para poderem desenvolver as suas tecnologias, área em que já dão cartas a nível global.

A condução autónoma foi, de resto, um sonho de Isaltino Morais, com o lançamento em 2005 do SATUO (sistema automático de transporte urbano de Oeiras), que acabou por ser extinto cerca de uma década depois. O projeto vai agora ser reativado para fazer a ligação às linhas de Sintra e de Cascais, mas vai abdicar da característica autónoma e, a partir do Oeiras Parque, seguirá em modo rodoviário numa via dedicada.

A Mobi Summit decorreu no segundo ano consecutivo mais quente de sempre, com os sinais enviados pelo Planeta a serem cada vez mais claros e próximos. Tempestadas mais violentas e consecutivas, em várias partes do Globo, e seca extrema são apenas duas das faces visíveis do fenómeno de aquecimento global. Travar esse fenómeno e não deixar que a temperatura média global ultrapasse 1,5 graus acima da era pré-industrial é o desígnio da nossa era.

Carla Aguiar

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